Rebeldes libertam mais duas reféns em Moscou

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Publicado sexta-feira, 25 de outubro de 2002 as 01:27, por: cdb

Os rebeldes chechenos que mantêm cerca de 500 pessoas como reféns em um teatro de Moscou libertaram nesta sexta-feira mais duas mulheres.

A decisão foi tomada poucas horas depois dos guerrilheiros terem autorizado uma TV russa a fazer as primeiras imagens deles dentro do teatro.

Nesta quinta-feira, duas jovens conseguiram escapar do cativeiro. Segundo um porta-voz do serviço de segurança russo ouvido pela agência AFP, as garotas de 18 anos pularam uma janela e sofreram ferimentos leves, depois dos rebeldes terem atirado granadas contra elas.

Pouco antes da fuga das jovens, o corpo sem vida de uma refém foi trazido para fora do teatro. Fontes oficiais informaram que ela foi vítima dos rebeldes, que prometem matar todos os reféns se as tropas russas não se retirarem da Chechênia.

Apelo

Os rebeldes estariam dividindo os rebeldes em grupos menores e levando-os para diferentes áreas do teatro. Também há informações de que alguns dos reféns estariam sendo mantidos embaixo de assentos na platéia.

Os guerrilheiros ameaçaram matar os prisioneiros um a um, caso a exigência que fizeram não seja satisfeita em sete dias.

Durante todo a quinta-feira ocorreram negociações entre as autoridades russas e os rebeldes, mas segundo jornalistas que estão em Moscou acompanhando o caso, há poucos sinais de que um dos dois lados está disposto a fazer concessões.
Testemunhas fizeram um apelo diretamente ao presidente russo Vladimir Putin, para que atenda à exigência rebelde.

“Nós imploramos que tome uma decisão racional e ponha um fim às operações militares na Chechênia. Já houve guerras demais”, disse a cardiologista Maria Shkolnikova, em uma breve aparição do lado de fora do teatro para falar em nome dos reféns.

“Hoje, acabamos chegando a uma situação de vida ou morte. Nós temos pais, irmãos, irmãs e filhos. Valorizamos muito nossas vidas. Nós imploramos que resolva esta situação por meios pacíficos”, completou.

Estrangeiros

Na noite desta quarta-feira, os rebeldes libertaram cerca de 200 reféns, a maioria mulheres, crianças e estrangeiros. Na manhã desta quinta-feira, eles também permitiram que um homem britânico, uma mulher e três crianças saíssem do teatro.

Ainda haveria vários estrangeiros entre os prisioneiros, entre eles dois britânicos, sete alemães, dois canadenses, um austríaco e dois holandeses.

Contudo, parlamentares russos que estão negociando com os chechenos disseram que, aparentemente, os chechenos não têm planos de libertar mais pessoas.

Segundo o deputado Valerly Draganov, alguns reféns estão em uma “situação séria” e que tende a piorar, já que os rebeldes estão se recusando a dar a eles as refeições quentes que as autoridades vêm oferecendo.

Apesar disso, o deputado disse que, até o momento, não existe a intenção de invadir o teatro, que permanece cercado por tropas de elite russas.

Putin

Em sua primeira mensagem pela TV depois de iniciado o incidente, o presidente russo Vladimir Putin disse que o ataque havia sido planejado em “bases terroristas estrangeiras” e ordenou aos responsáveis pela área da segurança no país que obtenham a libertação dos reféns.

O presidente cancelou uma viagem que faria à Alemanha e a Portugal para acompanhar as negociações para resolver o impasse.

Um alto funcionário do governo russo, Alexei Volin, disse que as forças de segurança do país têm duas prioridades: salvar os prisioneiros e não fazer nenhuma concessão aos atacantes.

“Tomar pessoas como reféns não acaba com guerras, só as aumenta”, disse Volin, deixando claro que não acha que a exigência dos rebeldes, que querem o fim da ofensiva russa na Chechênia, seja atendida.

Outras fontes do governo revelaram que os chechenos podem receber salvo-conduto para irem para outro país, caso libertem ilesos os reféns.