Rebeldes assumem cidades estratégicas na costa da Líbia

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Publicado domingo, 27 de março de 2011 as 13:05, por: cdb

Na Síria, autoridades governamentais decidiram neste domingo revogar a lei de Estado de Emergência que estava em vigor no país há quase 50 anos, informou Bussaina Schaban, conselheira do presidente Bashar el-Assad. Na semana passada, Damasco anunciara que iria reavaliar a lei instalada no país desde 1963.

Um dia depois do violento ataque contra manifestantes sírios na cidade portuária de Latakia, o domingo amanheceu marcado por um tenso silêncio. De acordo com relatos de testemunhas, o regime do presidente al-Assad direcionou um grande número de soldados para a cidade.

Ativistas de direitos civis sírios convocaram uma greve geral para este domingo. Não ficou claro até que ponto o chamado foi atendido. Na sexta-feira e no sábado, milhares de pessoas foram às ruas em várias cidades do país, para protestar por reformas políticas e liberdades civis.

De acordo com números não confirmados, divulgados pela oposição, as forças de segurança teriam matado cerca de 40 pessoas nesses dois dias de protesto.

Cidades estratégicas

Rebeldes comemoram a conquista de Brega
Rebeldes comemoram a conquista de Brega

Enquanto isso, na Líbia, rebeldes lutam contra as forças do ditador Muammar Gaddafi. Eles reconquistaram neste domingo o vilarejo de Bin Jawad, localizado a 50 quilômetros de Ras Lanuf, cidade estratégica para a indústria petrolífera, que também estaria sob controle dos oposicionistas do regime.

Os rebeldes disseram ter aproveitado os ataques aéreos das tropas francesas a Bin Jawad, operação que destruiu vários tanques de guerra de Kadafi. Encorajados pela falta de resistência encontrada em Bin Jawad, um grupo de rebeldes avançou rumo a Sirte, cidade natal do ditador Muammar Kadafi, localizada 150 quilômetros a oeste.

Apoiados pelos ataques aéreos ocidentais, os rebeldes tomaram também a cidade de Brega, obrigando as tropas de Gaddafi a recuar para o oeste. No sábado, as tropas do regime abandonaram a cidade de Adjabiya, e os moradores que haviam fugido para o deserto puderam voltar para casa. Em Trípoli, o regime protesta contra a intervenção do Ocidente.

– Os rebeldes usam a cobertura dos ataques aéreos para avançar – queixou-se o porta-voz do governo Ibrahim Mussa em uma coletiva de imprensa na capital líbia. Segundo o porta-voz, isso não teria mais nenhuma relação com a Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê apenas a proteção da população civil.

Vingança de Kadafi

Para o ministro da Justiça britânico, Kenneth Clarke, o Reino Unido tem “bons motivos” para não querer a volta de Gaddafi ao poder. Em entrevista ao diário britânico The Guardian, Clarke alertou para o perigo de um ato de vingança por parte de Gaddafi, nos moldes do atentado de Lockerbie, em 1988. Na época, agentes secretos líbios foram responsabilizados pelo atentado que matou 270 pessoas a bordo de um avião da Pan Am.

Nesta terça-feira, será realizada em Londres uma conferência para discutir a ação militar da coalizão na Líbia. De acordo com o Ministério do Exterior britânico, mais de 35 países já confirmaram participação no encontro.

Comando da Otan

Ainda neste domingo, o órgão executivo máximo da Otan se reúne para expandir sua participação na zona de exclusão aérea na Líbia, incluindo ataques aéreos contra alvos terrestres. Depois de quase uma semana de deliberações, o conselho da Otan decidiu na sexta-feira que a aliança deveria assumir o comando da zona de exclusão aérea, estipulada pelo Conselho de Segurança da ONU. Mas os ataques aéreos destinados a proteger civis na Líbia ficaram temporariamente a cargo das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos.

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