RDP termina programa de opinião que criticou subserviência do Governo em relação a Angola

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Publicado terça-feira, 24 de janeiro de 2012 as 13:58, por: cdb

Uma semana depois de Pedro Rosa Mendes ter criticado, na sua crónica na Antena 1, “os grosseiros exercícios de propaganda e mistificação” do Prós e Contras que levou o ministro Miguel Relvas a Angola, a estação pública de rádio acabou com este espaço de opinião. O Bloco já questionou o Governo sobre os fundamentos desta decisão.Artigo |24 Janeiro, 2012 – 16:55

O espaço de opinião onde se inscrevia a crónica de Pedro Rosa Mendes, “Este tempo”, está no ar há dois anos e era assegurado por cinco pessoas: Pedro Rosa Mendes, António Granado, Raquel Freire, Gonçalo Cadilhe e Rita Matos, que, ao se sabe, já terão sido informados desta decisão.

O jornalista Pedro Rosa Mendes confirmou, em declarações hoje ao Público, ter sido informado, por telefone, que a sua próxima crónica, a emitir na próxima quarta-feira, será a última da sua autoria. “Foi-me dito que a próxima seria a última porque a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola”, diz o jornalista citado pelo Público on-line.

De acordo com Pedro Rosa Mendes essa comunicação terá sido feita por “um dos responsáveis da Informação” da Antena 1, sem querer especificar quem daquele departamento lhe comunicou a decisão.

A crónica em causa foi emitida no passado dia 18 de Janeiro, integrando o referido espaço de opinião “Este Tempo”. Neste espaço, Rosa Mendes, que é um dos jornalistas portugueses que mais escreveu sobre a corrupção em Angola, criticou a emissão do programa televisivo “Prós e Contras” da RTP feita em direto a partir de Angola, com a participação do ministro Miguel Relvas. 

Rosa Mendes considera que a RTP “serviu aos portugueses” uma emissão especial em direto de Luanda e à qual chamou “Reencontro” e “na qual desfilaram, durante duas horas, responsáveis políticos, empresários, comentadores de Portugal e de Angola, entre alguns palhaços ricos e figuras grotescas do folclore local”. Refere Rosa Mendes que, “o serviço público de televisão tem estômago para muito, alguns dirão que tem estômago para tudo, mas o reencontro a que assistimos desta vez foi um dos mais nauseantes e grosseiros exercícios de propaganda e mistificação a que alguma vez assisti”.

Bloco de Esquerda questiona fim do programa
 

A deputada Catarina Martins questionou hoje o Governo sobre o fim deste programa, recordando que Governo escolheu João Duque para coordenar o relatório para a definição do Serviço Público. Na altura, o nome escolhido pelo ministro Miguel Relvas defendeu que a informação veiculada pelo canal internacional deve ser “filtrada” e “trabalhada” para passar a mensagem de promoção do país. Um tratamento da informação que, acrescentou, “não deve ser questionado”, “a bem da nação”.

A deputada do Bloco pretende saber de quem é a responsabilidade, e quais os fundamentos, desta decisão.