Radicais concordam em suspender ataques

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Publicado segunda-feira, 24 de janeiro de 2005 as 22:15, por: cdb

Os grupos radicais palestinos concordaram em parar temporariamente de lançar ataques contra Israel, ação preliminar para dar ao novo presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, tempo de convencer o governo israelense a pôr fim à prisão e morte de militantes nos territórios ocupados.

Depois de vários dias de negociações em Gaza com líderes de várias organizações, Abbas retornou hoje a Ramallah em meio à calma na região e disse estar perto de chegar a um acordo com os grupos. O Hamas, as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, a Jihad Islâmica e outros pequenos agrupamentos deixaram claro que só aceitarão um cessar-fogo se Israel também fizer sua parte. Uma pequena organização, as Brigadas Abu Rish – braço armado da Fatah – anunciou sua recusa em aderir ao acordo e atacou ontem alvos israelenses na Faixa de Gaza, sem causar vítimas.

No primeiro incidente armado desde que a AP deslocou forças para o norte da Faixa de Gaza, soldados israelenses feriram hoje um palestino que se aproximou da cerca de segurança que separa o território de Israel. Explosivos foram encontrados perto dele.

Funcionários da AP disseram que Abbas não declarará trégua enquanto não receber garantias de Israel de que interromperá as operações militares nos territórios, o que inclui o fim da captura e morte de militantes. Não estava ontem claro se Israel aceitará. Hoje o Exército prendeu oito militantes do Hamas na Cisjordânia e o ministro das Finanças de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu, disse que um cessar-fogo não é motivo para “concessões israelenses”.

Um desdobramento que pode prejudicar o esforço de Abbas foi a retomada ontem da construção por Israel de uma seção da barreira de separação na Cisjordânia. Uma cerca de 4 quilômetros vai rodear a colônia judaica de Ariel, incorporando terras palestinas.

Em Gaza, trabalhadores da AP, protegidos pela polícia, começaram a demolir lojas irregulares. É a primeira ação do tipo em vários anos, num sinal de que Abbas pretende impor leis amplamente ignoradas.