Quênia: não há evidências da participação da Al Qaeda em ataques

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Publicado sábado, 30 de novembro de 2002 as 15:09, por: cdb

A Polícia do Quênia liberou duas pessoas – uma norte-americana e o marido espanhol – que estavam detidos para interrogatório sobre os atentados em Mombasa e afirmou que nenhum dos outros 10 presos tem vínculos com a rede terrorista Al Qaeda.

Sobre o casal liberado, identificado como Alicia Kalhammer e José Tena, a Polícia concluiu que eles não tiveram qualquer ligação com os atentados, que deixaram 13 mortos, além dos três homens-bomba envolvidos.

As autoridades ainda mantêm detidos seis paquistaneses e quatro somalis, sob alegação de que entraram ilegalmente no país.

Indagado se já havia alguma evidência ligando os suspeitos à rede terrorista de Osama bin Laden, o ministro da Segurança Interna do Quênia, Julius Sunkuli, foi categórico: “Nada até agora”.

Os paquistaneses e os somalis chegaram ao país na costa oriental da África no começo da semana, em um barco procedente de Zanzibar, na Tanzânia. Alguns portavam documentos inválidos, o que levantou suspeitas.

O casal liberado, por sua vez, declarou não guardar mágoa da Polícia por ter sido detido.

“Não tenho ressentimentos”, disse Alicia, 31 anos. “Adoramos o Quênia. Adoramos os quenianos e sabemos que eles estavam fazendo o trabalho deles”.

O marido, José, contou que logo após tomar conhecimento do ataque ao Hotel Paradise, em Mombasa, decidiu deixar o hotel onde estava com a esposa e procurar um local mais seguro no Quênia.

O casal foi detido quando tentava sair do hotel. “Aparecia na televisão, em todos os noticiários”, lembrou. “Achamos que o nosso hotel poderia ser alvo também. Era o que qualquer pessoa normal faria (fechar a conta)”.

Na quinta-feira, 13 pessoas – dez quenianos e três israelenses – morreram quando três homens-bomba jogaram um carro repleto de explosivos contra os portões de entrada do Hotel Paradise.

Menos de uma hora antes, um avião de companhia comercial israelense Arkia, com 271 pessoas a bordo, escapou por pouco de um ataque com mísseis.

Investigadores quenianos e israelenses dedicam o sábado a revirar os escombros do hotel, em busca de evidências que possam determinar a responsabilidade pelo atentado.

Já foi encontrada uma caixa com um fio conectado, a qual poderia ser parte de um detonador manual para acionar os explosivos que arrasaram o hotel, que é de propriedade israelense.

Os investigadores também rastreiam os antecedentes do veículo verde usado no atentado e ainda tentam definir a identidade dos três homens-bomba.

Até o momento, a Polícia descobriu que o carro circulava no Quênia desde 1991 e mudou de mãos pela última vez em 1998. Entretanto, não se sabe ainda quem era o proprietário do veículo nos últimos quatro anos.

Após os ataques, o embaixador queniano em Israel culpou a Al Qaeda. Já em Washington, um porta-voz do presidente norte-americano, George W. Bush, disse ainda ser prematuro afirmar o envolvimento da rede de bin Laden.