Quem não pára quieto permanece em forma, diz estudo

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 21:11, por: cdb

Pessoas que literalmente não conseguem parar quietas podem ter um comportamento inato que as mantêm magras mesmo se exagerarem um pouco à mesa, disseram pesquisadores nos Estados Unidos na quinta-feira.

Exames com pessoas esguias e obesas mostraram que a maior diferença entre elas é o tempo que passam paradas.

– Nosso estudo mostra que as calorias que as pessoas queimam em suas atividades diárias são muito, mas muito mais importantes na obesidade do que se imaginava – disse James Levine, da Clínica Mayo, em Rochester (Minnesota), que participou do trabalho.

Os pesquisadores recrutaram dez homens e mulheres com peso normal e dez com quilos a mais, convencendo-os a usar roupas especiais com sensores que registravam qualquer movimento, por menor que fosse.

Os obesos passavam sentados, em média, 164 minutos por dia a mais do que os voluntários magros. A conta não inclui os momentos de sono, iguais para os dois grupos.
A diferença de atividade representou cerca de 350 calorias por dia — o suficiente para acrescentar 4,5 quilos por ano na balança.

Os pesquisadores levantaram, então, a hipótese de que o peso obrigaria os obesos a passarem mais tempo sentados. “Se esse fosse o caso, imaginaríamos que os obesos, quando perdem peso, passariam a se levantar e andar mais. Não foi o caso”, disse Levine em entrevista telefônica.

A prova foi feita da seguinte foram: durante dois meses, os obesos foram submetidos a uma dieta de mil calorias por dia, o que os fez perder, em média, oito quilos cada um. Mesmo assim, o nível de atividade deles não aumentou.

“E se os magros engordarem?”, perguntou Levine. “Pegamos pessoas magras e os alimentamos em excesso, e eles ganharam bastante peso e continuaram ativos”.

Para o pesquisador, essa tendência à movimentação pode ser genética ou aprendida no começo da vida. “A idéia é que há um gene ‘levanta e anda’ ou que há um gene que te manda para a cadeira. Eu na verdade sou da crença de que o que acontece na infância é absolutamente essencial”.

Seja como for, a resposta pode ser estimular a atividade física no começo da vida. Para Levine, isso é importante num país onde dois terços da população estão acima do peso — tendência que se verifica também em outros países, inclusive no Brasil.

“Talvez tenhamos de pensar em como as escolas são dirigidas e no fato de que as crianças sempre querem correr e ouvem que não podem”, disse ele. “As crianças não saem mais para brincar na hora do almoço”.

O próprio Levine deu a entrevista à Reuters enquanto se exercitava numa esteira, diante do seu computador portátil. “Converti o meu trabalho sedentário em ativo”, afirmou ele. “E não chego em casa cansado. Chego energizado”.

Levine informou que seu grupo obteve 2 milhões de dólares do Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

Os sensores usados no estudo foram adaptados de peças empregadas na aviação comercial e colocados na roupa íntima dos voluntários, para garantir a discrição.