Queimadas destróem o cerrado no Centro-Oeste

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Publicado segunda-feira, 20 de agosto de 2001 as 12:37, por: cdb

Há 1051 focos de queimadas no Brasil desde este domingo, segundo o levantamento por satélite feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Um dos principais motivos para as queimadas – concentradas principalmente na região do cerrado no Centro-Oeste – é o tempo seco. Segundo o instituto meteorológico Climatempo, há registro de fumaça na região de Alta Floresta e a visibilidade na região está em torno de 5000 metros.

O incêndio já consumiu cerca de 50 mil hectares do Pantanal, no município de Corumbá, e matou cerca de 200 cabeças de gado, segundo estimativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O fogo atinge a região do Forte Coimbra, a 90 quilômetros da cidade, e começou há uma semana.

Na sexta-feira, o governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, decretou situação de emergência nos municípios de Bonito e Bodoquena, sudoeste do Estado. A medida, publicada na edição de sexta-feira do Diário Oficial estadual, atinge somente as áreas afetadas pelo incêndio na região da Serra da Bodoquena. Segundo a assessoria do governo, a decisão de Zeca do PT já foi comunicada a todos os órgãos envolvidos no combate ao fogo.

Trinta e sete homens do Terceiro Grupamento do Corpo de Bombeiros e do Exército estão atuando desde quinta-feira no combate aos focos de incêndio, que são mais intensos nas fazendas Santa Rosa, Piúva, Aguassu e Três Meninas. Peões que trabalham em propriedades da região ajudam na operação.

As condições de chuva para os próximos dias não devem ser muito diferentes. Segundo previsão da meteorologia, só deve chover na região no final da semana que vem.

Cinco helicópteros devem chegar nesta segunda-feira à Serra dos Carajás, no sul do Pará para intensificar o combate às queimadas no estado. O reforço ocorre devido à descoberta, no final da tarde da última sexta-feira, de um foco de incêndio de oito mil hectares de extensão. Dois helicópteros haviam sido deslocados para o local, mas na falta de chuvas o trabalho foi reforçado.

O foco, o maior já registrado até agora, fica no município de Água Azul do Norte, a 150 quilômetros de Marabá.

A gigantesca queimada atinge uma área equivalente a oito mil campos de futebol e, se não chover, pode até dobrar de extensão.

O Instituo Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou uma multa de R$ 12 milhões ao fazendeiro Francisco Pereira Neto, dono da propriedade onde começou o fogo.

Há também um grande foco de incêndio no Paraná, no Parque Nacional da Ilha Grande, noroeste do Estado. O incêndio começou na manhã de ontem e já consumiu mais de 35 mil quilômetros quadrados de mata.

Bombeiros e funcionários do parque estão empenhados no combate ao incêndio, mas o clima seco e o vento forte ajudam a espalhar as chamas.