Quatro britânicos e 1 australiano deixarão Guantánamo

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Publicado terça-feira, 11 de janeiro de 2005 as 15:22, por: cdb

Os quatro britânicos e um australiano ainda detidos na base naval norte-americana de Guantánamo, encravada em Cuba, serão libertados em breve, disseram autoridades na terça-feira, em meio a rumores de que o número de prisioneiros no local será drasticamente reduzido.

A advogada Louis Christian, que representa dois dos britânicos, disse à Reuters ter recebido a informação do governo de seu país que a dupla e seus compatriotas serão soltos dentro de algumas semanas. O chanceler Jack Straw vai ao Parlamento britânico na terça-feira para falar sobre o caso.

Um dos dois australianos mantidos sob suspeita de terrorismo na base também será devolvido a seu país em breve, disse o governo australiano na terça-feira, acrescentando que ele não será processado.

As autoridades norte-americanas ainda não comentaram a informação. Os EUA mantêm cerca de 550 estrangeiros em Guantánamo, a maior parte capturada na guerra de 2001 no Afeganistão. Apenas quatro deles foram indiciados até agora.

O jornal Financial Times disse nesta semana que a libertação é parte de um plano para reduzir radicalmente o número de prisioneiros na base. Segundo uma fonte de defesa dos EUA, a intenção é criar uma prisão permanente em Guantánamo, com capacidade para 200 presos, e enviar vários dos atuais detentos para seus países de origem.

Feroz Abbasi, Martin Mubanga, Richard Belmar e Moazzam Begg estão presos em Guantánamo há três anos. Muganba e Begg afirmam que foram acorrentados e torturados, acusação que as autoridades dos EUA negam.

“As famílias estão obviamente confusas e não acreditarão (na libertação) até que realmente vejam seus parentes”, disse Christian. “Há temores de que eles estejam realmente traumatizados e que sua saúde mental tenha sido abalada.”

Cinco outros britânicos mantidos na base foram repatriados no ano passado e posteriormente liberados pela polícia sem serem indiciados. O governo britânico diz estar se empenhando para libertar seus cidadãos.

Entidades de defesa dos direitos humanos criticam o tratamento dado aos presos e dizem que os EUA deveriam ou submetê-los a um julgamento justo ou devolvê-los à Grã-Bretanha.

O procurador-geral da Austrália, Philip Ruddock, disse que Mamdouh Habib, pai de quatro filhos, está sendo devolvido a pedido do governo de Canberra, apesar de os EUA ainda o considerarem um combatente inimigo.

Habib foi preso quando tentava entrar no Afeganistão a partir do Paquistão, três semanas depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 aos EUA.

Ruddock disse que a Austrália pediu a libertação de Habib depois que os EUA decidiram não indiciá-lo. O procurador afirmou que ainda não se sabe quando o homem voltará para a Austrália, mas disse ser questão de dias.

O outro australiano detido em Guantánamo, David Hicks, 29, convertido ao Islã, foi detido no Afeganistão no final de 2001 e faz parte de um pequeno grupo inicial de presos que serão indiciados e julgados.