Quando a guerra vai começar?

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Publicado quarta-feira, 3 de outubro de 2001 as 11:15, por: cdb

Mais de duas semanas depois dos atentados em Washington e Nova York, e a espera continua. Ninguém sabe exatamente quando os Estados Unidos vão contra-atacar, mas uma coisa é certa: algum tipo de ofensiva militar é inevitável.

Não será necessariamente o que as pessoas esperam que seja – e pode durar muito mais do que alguns estão prevendo. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, já disse que esta guerra pode demorar anos até acabar – e que haverá mais mortos no esforço contra o que os americanos chamam de terrorismo global.

Muitos já estão se perguntando o que a palavra “vitória” vai significar nesse novo tipo de esforço. Claramente, não é algo definido como expulsar as forças iraquianas do Kuait ou forçar a saída de soldados sérvios de Kosovo.

Ponto de partida

Mas aonde quer que a campanha militar conduza, ela tem que começar de algum ponto. Toda a atenção do mundo está voltada, neste momento, para a milícia Talebã e para as tropas que se preparam para tomar as montanhas afegãs.

Mas quando, afinal, tudo vai começar? Quais são as pré-condições impostas pelo presidente George W. Bush ao Pentágono antes que ele dê sinal verde para a ofensiva? Quão importantes são essas questões à luz do que está acontecendo?

A resposta para todas as perguntas pode ser resumida em apenas três palavras: diplomacia, prontidão e informação.

Aliança

Imensos esforços estão sendo feitos para construir uma ampla aliança internacional, a mais ampla possível, para dar apoio à ação militar norte-americana.

A coalizão está pouco preocupada com os intereces a longo prazo dos Estados Unidos, embora nesse campo também a construção da aliança seja um fator essencial de sucesso.

Para formar a coalizão, será necessário que os Estados Unidos forneçam provas de que a organização comandada por Osama bin Laden esteve, de fato, por trás dos ataques ocorridos em 11 de setembro.

O secretário de Estado Colin Powell já deixou claro que essas provas serão reveladas, e é com base nessas evidências que os Estados Unidos estão preparando suas operações.

Prontidão

A prontidão militar é algo evidentemente essencial antes do início do ataque. As armas, equipamentos, suprimentos e instalações militares devem estar todas em seus lugares, prontas para o uso.

As autoridades americanas vêm movimentando suas forças para responder a uma gama de cenários a curto e médio prazos. Até o final da semana, grande parte do equipamento e das instalações estará nos locais onde devem estar.

A ordem para iniciar o ataque pode ainda depender de outros fatores, como o clima ou mesmo a fase da Lua. Mas o acesso a informações estratégicas claras é a chave.

O Pentágono vai agir apenas quando acreditar que angariou dados suficientes a ponto de ter uma idéia clara dos alvos potenciais e da situação das forças inimigas.

Reconhecimento

O trabalho de forças especiais de reconhecimento é mantido em segredo – as operações em andamento simplesmente não são discutidas. Muitos dos comentários que aparecem nos jornais sobre trocas de tiros no Afeganistão entre forças de elite do Ocidente e guerrilheiros locais pode ser pura especulação.

Os comentários, porém, podem ter um fundo de verdade. Parte da preparação para uma incursão militar é a infiltração de forças de elite para realizar a prospecção do terreno.

Esse é um importante indício de que a operação militar no Afeganistão pode já ter começado.