Putin critica guerra ao terrorismo na frente de Bush

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Publicado sábado, 23 de novembro de 2002 as 00:21, por: cdb

Presidente russo, Vladimir Putin perguntou hoje, ao lado do colega norte-americano George W. Bush “onde está bin Laden?”. E acrescentou que os Estados Unidos não devem lançar sozinhos uma guerra contra o Iraque e questionou se aliados de Washington, como o Paquistão e a Arábia Saudita, estão fazendo o suficiente para combater o terrorismo.

“Onde se escondeu Osama bin Laden?”, perguntou Putin na entrevista coletiva conjunta com Bush num castelo czarista do século 18. A afiada pergunta, apesar de não ter sido uma crítica direta a Bush, sublinhou a frustração sentida por autoridades dos EUA desde que o líder da Al-Qaeda ressurgiu depois de meses de silêncio numa fita de áudio elogiando recentes ataques terroristas. Em Washington, líderes da oposição democrata têm acusado Bush de se concentrar no Iraque às custas da guerra maior contra o terrorismo.

Reunidos no Palácio Catarina, Bush citou a recente captura do chefe de operações da Al-Qaeda no Golfo Pérsico, Abd al-Rahim al-Nashiri, como prova dos sucessos da coalizão liderada pelos EUA. “As pessoas que amam a liberdade estão mais seguras pelo fato de termos encontrado esse cara”, disse Bush.

Mas Putin, apesar de emitir um comunicado de apoio à política de Bush em relação ao Iraque, rapidamente lançou várias dúvidas sobre a guerra contra o terrorismo. “Não devemos esquecer aqueles que financiam o terrorismo”, disse Putin, destacando que 15 dos terroristas de 11 de setembro eram cidadãos sauditas. “Não devemos nos esquecer disso.”

Putin também citou notícias de que Bin Laden estaria escondido numa região na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão e questionou se o presidente paquistanês, general Pervez Musharraf estaria fazendo o suficiente para estabilizar a região. “O que pode ocorrer com Exércitos, armas que existem no Paquistão, inclusive armas de destruição em massa?”, perguntou.

Cheia de simbolismo, a parada de três horas na Rússia foi a forma encontrada por Bush para agradecer Putin pelo apoio à resolução da ONU exigindo que o Iraque se desarme. Ele veio da República Checa, onde 19 aliados da Otan votaram pela expansão da aliança ocidental para dentro do antigo bloco soviético.

No começo do mês, quando Bush telefonou a Putin pedindo apoio sobre a questão iraquiana, o presidente russo disse a seu colega americano que ele deveria ir à Rússia após a cúpula da Otan. Apesar de não ter sido dito por Putin – mas ficou claro para Bush – a mensagem era que os russos precisavam de garantias de que uma Otan expandida não iria ameaçar seu país. “A Rússia é um amigo, não um inimigo”, disse Bush na entrevista coletiva.

Putin afirmou que a expansão da aliança não era necessária, mas prometeu manter uma boa relação com os aliados da Otan, inclusive com os novos convidados, que orbitavam em torno da extinta União Soviética menos de uma década atrás.

Os dois líderes emitiram um comunicado exigindo que o Iraque cumpra a resolução da ONU ou enfrente “severas consequências”. Mas Putin exortou Bush a não ir à guerra sem o consentimento das Nações Unidas, uma promessa que o presidente norte-americano não se mostra disposto a fazer. “Diplomatas fizeram um trabalho muito difícil e muito complexo, e acreditamos que temos de permanecer dentro dos moldes do trabalho sendo levado pela ONU”, disse Putin.

O cortejo de Bush a Putin faz lembrar a campanha promovida por seu pai para ganhar o apoio do então presidente soviético Mikhail Gorbachev para resoluções da ONU que levaram à Guerra do Golfo. O Bush pai ofereceu apoio político e econômico para o cambaleante império soviético em troca do consentimento de Gorbachev para ações no Iraque.

Com a guerra mais uma vez no horizonte, a Rússia quer garantias de que uma ação militar no Iraque não colocará em risco seus interesses econômicos com Bagdá ou faça o preço do petróleo cair tanto que prejudique a convalescente economia de Moscou.

Apesar de ter havido pouca conversa sobre o assunto hoje, Bush tem dado garantias a Putin d