PT fecha congresso com crítica à mídia conservadora e apoio à reforma política

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Publicado segunda-feira, 5 de setembro de 2011 as 09:04, por: cdb
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A mídia conservadora aliena

O Congresso Nacional do PT terminou na noite passada, após aprovação um documento que defende a regulação dos meios de comunicação conservadores – vistos como oposição de fato -, uma aproximação maior com eleitor jovem e uma reforma política que inclua o voto em lista e o financiamento de campanha com recursos públicos.

A disposição para enfrentar a mídia ligada à direita, algo que já havia sido sinalizado na abertura do evento, está indicado com clareza no texto básico votado pelos 1,3 mil delegados petistas ainda no sábado. O assunto mereceu mais espaço do que a disputa com a oposição partidária (PSDB, DEM e PPS). E palavras mais duras também.

Segundo o documento, as revistas semanais e os grandes diários brasileiros fazem parte de uma máquina “conservadora”, “desrespeita os direitos humanos”, “tolhe a democracia” e “promove uma espécie de criminalização generalizada da conduta da base de sustentação do governo”.

O PT cobra o “debate urgente” de proposta que começou a ser elaborada em 2010 pelo ex-ministro Franklin Martins (Comunicação Social). Ao atualizar o Código Brasileiro de Comunicações, de 1962, o projeto pretende estabelecer regras para rádios e TVs, que são concessões públicas.

Paralelamente à regulação da mídia, os petistas querem “estreitar os laços com as novas gerações”, uma “questão estratégica” para quem sonha em assegurar a “hegemonia da sociedade”. O partido acha que a juventude merece “foco especial”, pois “a maioria dela não viveu os anos neoliberais e convive já há quase nove anos com um governo do PT”.

Em outras palavras, o PT acredita que a disputa retórica do tipo “Lula versus FHC” não serve mais, pois os jovens não teriam idade para saber o que foi o governo tucano e se deixar convencer por contraste de que um projeto petista seria melhor.

Reforma política

O partido convocou sua militância a um trabalho de convencimento dos parlamentares sobre a necessidade de uma reforma política que inclua o voto em lista, com indicação prévia dos candidatos, e o financiamento de campanha com recursos públicos.

A ideia é acabar com o financiamento privado em campanhas políticas e com suas “nefastas consequências”. Com o financiamento público, o PT acredita que haverá melhor correlação de forças políticas nas eleições e, consequentemente, “consolidação da hegemonia” do partido no país.

Para o PT, é este modelo político-eleitoral que o obriga conviver e fazer alianças com partidos sem afinidade ideológica, a fim de poder governar e ter tranquilidade no Congresso. “Nas duas experiências do governo Lula, o PT viveu todas as contradições, riscos e desafios do chamado presidencialismo de coalizão”, afirma o documento petista.

A meta da legenda para as eleições municipais do ano que vem é fazer o maior número possível de prefeitos e vereadores, embora admita coligações com os partidos da base de apoio ao governo federal. Para tanto, o Partido dos Trabalhadores reaviva algumas de suas tradicionais bandeiras, como a redução da jornada de trabalho, sem redução do salário, e o combate ao trabalho escravo.

A resolução política inclui ainda, em 24 páginas, comentários sobre o governo do ex-presidente Lula e análises sobre as dificuldades econômicas no Brasil e no mundo, além do apoio incondicional à presidente Dilma Rousseff.

No documento, o PT defende ainda a luta por um sistema de saúde público, universal e de qualidade, que possa contar com novas fontes de financiamento, e a luta pela universalização e ampliação da educação, da creche e da pós-graduação, com destaque para o fortalecimento da educação pública em todos os níveis.

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