Provão deste ano é o último

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Publicado quarta-feira, 4 de junho de 2003 as 21:08, por: cdb

No próximo domingo, os estudantes vão fazer pela última vez o Provão. O ministro da Educação, Cristovam Buarque, garantiu nesta quarta-feira ao presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Felipe Maia, que um novo sistema de avaliação do ensino superior vai ser adotado a partir de 2004.

A mudança no Exame Nacional de Cursos, o Provão, é uma reivindicação antiga do movimento estudantil. Desde abril, especialistas na área de educação e representantes de universidades estão trabalhando numa comissão, criada pelo MEC no final de abril, para elaborar a nova avaliação do ensino superior.

O presidente da UNE entregou ao ministro um documento com as propostas da entidade, entre elas a maior participação da comunidade acadêmica na elaboração do novo Provão.

A avaliação também deve levar em conta todas as atividades acadêmicas, como a pesquisa e a extensão, e o impacto da presença da universidade na sociedade brasileira para o desenvolvimento regional.

Felipe Maia disse que o sistema atual, de aplicar uma prova para os estudantes no final do curso, deve ser substituído por um modelo que leve em conta todo o processo de formação acadêmica.

– É uma violência substituírem quatro, cinco, às vezes, seis anos de estudo e de avaliações cotidianas por uma única prova – afirmou o presidente da UNE.

– Há muitos anos, vêm sendo estudadas formas alternativas ao vestibular que é uma única prova que determina todo um futuro. Num momento como esse vamos manter o Provão? É algo que está na contramão da história do Brasil – argumentou Maia.

Além de concordar com as propostas, Cristovam Buarque convidou a UNE para ocupar duas vagas na Comissão que terá até agosto para apresentar o novo modelo.

A discordância entre ministro e UNE surgiu em outro ponto da conversa. O presidente da UNE disse ser contrário à proposta, apresentada ontem por Cristovam, de cobrar uma taxa dos ex-alunos de universidades públicas.

– Criar uma alíquota vinculada a um determinado serviço público para quem teve acesso a ele é uma coisa esquisita. Daqui a pouco, podemos ter uma alíquota para quem teve saneamento básico feito pelo governo – disse Felipe Maia.

Cristovam Buarque disse que é favorável a uma ampla discussão sobre a proposta que é de autoria do ex-deputado Padre Roque, do PT. O projeto de lei está arquivado no Congresso Nacional.

Essa contribuição seria uma alíquota do Imposto de Renda, repassada diretamente à instituição de ensino superior onde o ex-aluno estudou.

No sistema de progressividade tributária adotado hoje, Maia afirmou que o ex-universitário que tem uma renda alta já está retribuindo o que recebeu da universidade pública.

Ao invés de adotar esse sistema, a UNE propõe a realização de uma ampla campanha e um amplo debate sobre os fundos de financiamento para a educação, atualmente insuficientes.

Na avaliação da UNE, o ex-aluno deve contribuir de outras formas.