Protestam ‘por uma Igreja mais crível’

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Publicado terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 as 12:26, por: cdb

O líder dos sacerdotes rebeldes austríacos

Um numeroso grupo de sacerdotes austríacos, que no verão passadopublicou um Apelo à desobediência, mobilizando-se a favor do celibatoopcional e da plena participação de mulheres e leigos na Eucaristia, eprovocando a comoção no centro da Europa, voltou a emitir um manifesto em que”protestam uma Igreja mais crível”. Nele, “dizemos uma e outra vez NÃO” a determinadas atitudes do governoda Igreja, centradas nas “aparições fugazes” para administrar a comunhão em vezde “oferecer um lar espiritual e emocional” aos fiéis.

A reportagem é de Jesús Bastante e está publicada no sítio espanhol ReligiónDigital, 24-02-2012. A tradução é do Cepat.

Os abaixo-assinantes também se opõem ao fechamento de paróquias quando aúnica razão é a falta de sacerdotes. Neste sentido, voltam a solicitar aabertura do sacramento aos leigos, pois “é a falta que manda em vez de mudar asnormas nada bíblicas da Igreja para encontrar uma solução para a falta. A lei éfeita para pessoas, não o contrário, principalmente a lei da Igreja que existeunicamente para servir o povo”.

E, fundamentalmente, “dizemos NÃO quando o direito canônico emite umjuízo excessivamente duro e sem piedade em relação aos divorciados que ousamvoltar a se casar, os casais do mesmo sexo que vivem em família, os sacerdotesque, enfraquecidos pelo celibato, iniciaram uma relação e em relação a tantaspessoas que seguem sua própria consciência antes que a uma lei feita porhomens”. Um protesto que pretende ser uma voz que se levanta diante do silênciodos bispos, e que pretende dar um “testemunho para a reforma da Igreja”.

Este é o novo manifesto dos sacerdotes austríacos:

“Desde aquele Apelo à desobediência no qual nos comprometemos a darmostras de nossa própria responsabilidade na renovação da nossa Igreja,recebemos manifestações de concordância e apoio de todas as partes, tanto denosso país como do exterior, salvo no que diz respeito aos bispos:primordialmente silêncio e, em algumas ocasiões, violento rechaço. Diante daatual penúria de paróquias e uma atividade pastoral sob a pressão da falta desacerdotes e sua avançada idade, dizemos uma e outra vez NÃO:

1. Dizemos NÃO quando nos pedem que nos ocupemos cada vez de maisparóquias adicionais porque só seríamos celebrantes itinerantes e dispensadoresde sacramentos para pessoas que carecem de um adequado cuidado pastoral.Opomo-nos a fazer uma aparição fugaz em diferentes localidades sem poderencontrar nem oferecer um lar espiritual e emocional.

2. Dizemos NÃO a presidir cada vez mais eucaristias de fim de semanaporque uma quantidade excessiva de serviços e homilias se traduzemfrequentemente em rituais superficiais e sermões rotineiros, enfraquecendo-seos encontros, o discurso e o trabalho pastoral.

3. Dizemos NÃO à fusão e ao fechamento de paróquias quando não se podenomear um pároco. Nestes casos, é a falta que manda em vez de mudar as normasnada bíblicas da Igreja para encontrar uma solução para a falta. A lei é feitapara pessoas, não o contrário, especialmente a lei da Igreja que existe unicamentepara servir o povo.

4. Dizemos NÃO à sobrecarga de trabalho do pároco a quem se pede queocupe com numerosas tarefas, o que impede dispor de tempo e energia para teruma vida espiritual, e a quem se pede que continue trabalhando muitos anos apósa idade da aposentadoria. Esta demanda excessiva de trabalho repercute em umamenor eficácia de seu ministério.

5. Dizemos NÃO quando o direito canônico emite um juízo excessivamenteduro e sem piedade em relação aos divorciados que ousam voltar a se casar, oscasais do mesmo sexo que vivem em família, os sacerdotes que, rotos pelocelibato, iniciaram uma relação e em relação a tantas pessoas que seguem suaprópria consciência antes que a uma lei feita por homens.

Devido ao fato de que o silêncio costuma ser interpretado como aceitaçãoe porque queremos ser fiéis à nossa responsabilidade como sacerdotes epastores, tivemos que expressar estes cinco pontos de Protesto. Um ‘protesto’(‘pro teste’, em latim) é literalmente um ‘testemunho para’ a reforma da Igreja,também para nós os pastores que queremos ser. A ausência de alegria com que sedirige hoje a Igreja não é um bom testemunho da ‘gozosa mensagem’ que nos devemotivar. Porque ‘não queremos ser ditadores, mas companheiros de trabalho paratrazer-vos alegria’ (2 Cor 1, 24)”.