Promotor acompanha investigações sobre contaminação do Celobar

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Publicado terça-feira, 10 de junho de 2003 as 19:26, por: cdb

O Ministério Público do Rio acompanha as investigações sobre a contaminação do medicamento Celobar, suspeito de ter causado ao menos 21 mortes no país.

O promotor Walberto Fernandes, da 17ª Promotoria de Investigações Penais, esteve reunido nesta terça-feira com o delegado Renato Nunes, da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública, para analisar o andamento das investigações.

Responsáveis pelo laboratório Enila, fabricante do medicamento – usado para destacar órgãos em exames de imagem – prestaram depoimento na última segunda-feira. Segundo informações do Ministério Público, Fernandes não dará informações à imprensa, por enquanto.

Depoimentos

O delegado disse não acreditar nas primeiras versões dadas por donos e funcionários do laboratório.

De acordo com o químico Antônio Carlos Fonseca e com diretor-presidente do laboratório, Márcio D’Icarahy, o sulfato de bário, matéria prima do Celobar, teria sido manipulado em equipamento sujo. Fonseca teria tentado transformar 590 kg de carbonato de bário, substância usada em raticidas, em sulfato de bário.

Esquecimento

O diretor-presidente disse que o químico “deve ter esquecido” de lavar os equipamentos onde o carbonato de bário foi manipulado. Em seguida, o químico teria mexido no sulfato de bário nos equipamentos (bomba, encanamento móvel e tanques de armazenamento móvel e envazamento).

D’Icarahy negou que o material manipulado tenha sido utilizado no medicamento. Disse que foi jogado fora em um efluente industrial. O laboratório não tem autorização para produzir insumos, somente para experimentos químicos.

Versões

– Precisamos apurar tudo direito. Não podemos acreditar nas primeiras versões. Eu, sinceramente, não acredito nas primeiras versões, de negligência. Ainda faremos muitas diligências hoje – disse o delegado.

O objetivo da transformação de carbonato de bário em sulfato de bário seria produzir o insumo, que é importado, como forma de baratear custos. O laboratório planejaria produzir o insumo em larga escala, para vender a concorrentes.

Segundo o delegado, a comprovação de negligência amenizaria a responsabilidade do laboratório no crime.

Análise

Pelo menos dois corpos foram exumados para análise e tentativa de identificação da presença do Celobar nas vísceras das vítimas. O aposentado Edmar Nascimento, 51, morreu em Igarapava (448 km de SP) e o técnico em aparelhos odontológicos Ricardo Diomedes, no Rio, após ingerirem Celobar. Os resultados devem ficar prontos em 30 dias.

O delegado Nunes disse que as polícias de outros Estados em que há suspeita de morte por Celobar (São Paulo, Goiás, Minas, Bahia e Maranhão) devem trocar informações sobre o caso.

– Há a preocupação dos outros casos, porque o que ocorreu nos outros Estados é resultado de um crime deflagrado no Rio. Passaremos informações a eles e aceitamos ajuda deles também – disse.