Projeto em audiovisual capacitará comunidades ameaçadas por obras da Copa de 2014

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Publicado domingo, 4 de setembro de 2011 as 18:40, por: cdb

Neste sábado (3), oProjeto Olho Mágico – Educação Audiovisual em Mídias Móveis – e o ComitêPopular da Copa de Fortaleza, no Ceará (Nordeste brasileiro), lançarão oprojeto De olho na cidade – educomunicação para ofortalecimento da luta em defesa do direito à terra urbana. O objetivo écapacitar em produção audiovisual as comunidades Aldacir Barbosa, Trilha doSenhor e Barroso, ameaçadas de remoção pelas obras da Copa de 2014.

Para apresentar o projeto e marcar olançamento, ocorrerá amanhã, a partir das 14h, o seminário Vídeo: comunicação, arte e política, no Centro Social Urbano(Avenida Borges de Melo, 910). Haverá roda de conversa com o produtor PhilipeRibeiro, o realizador audiovisual, Hugo Pierot, e a integrante do Comitê,Helena Martins. Também serão realizadas oficinas de hip-hop, criação de blog, fanzine,entre outras.

Roger Pires, um dos coordenadores doProjeto Olho Mágico, explica que a intenção do projeto é, a partir doaudiovisual, auxiliar as comunidades a mostrar suas realidades, memórias ehistórias de lutas para que ganhem visibilidade e fortalecer as resistências.”A gente quer que essas comunidades chamem a atenção da sociedade e que aspessoas vejam que ali, mesmo sendo desconhecido, tem vida e história e,justamente por isso, não deve haver remoções”, argumenta.

Em outro plano, Roger consideraque a produção em audiovisual funcionará como uma forma de fiscalizar osprocessos para as remoções. “As comunidades poderão documentar como isso vaiser feito, o local para onde o governo quer mandar as pessoas, as indenizaçõesoferecidas”, disse.

O projeto, contemplado emedital do Fundo Brasil de Direitos Humanos, dispõe de 25 mil reais paraaquisição de equipamentos e terá três fases, contando com equipe de 15oficineiros voluntários. Serão constituídos três núcleos comunitários, cada umcom turmas de 20 pessoas.

A primeira fase consisteem curso de vídeo, de 72 horas/aula, durante três semanas. Já na segunda fase,os moradores terão tempo livre para produzir material audiovisual e osencontros com os oficineiros, agora para acompanhamento, serão mais espaçados.Para possibilitar a produção, cada núcleo receberá 500 reais mensais, duranteos três meses desta fase.

Por fim, a terceira etapaserá a apresentação do que foi produzido, com uma mostra aberta, que tem dataprevista para março de 2012.

De acordo com Roger, aideia do projeto surgiu da identificação política do Projeto Olho Mágico,composto por três comunicadores, com a luta das comunidades. “Nós já tínhamostrabalhado voluntariamente com as comunidades do Trilho, em 2009, e na época jácirculavam boatos sobre as remoções. Depois, decidimos nos somar ao ComitêPopular da Copa e a melhor forma que encontramos de participar foi ensinando oque a gente sabe fazer, que é trabalhar com audiovisual”, conta.

Para auxiliar naestruturação dos núcleos comunitários, o Comitê Popular da Copa está recebendodoações de equipamentos – câmeras digitais, celulares e computadores usados.

Licença Prévia para obras do VLT foiaprovada hoje

Hoje(2), uma reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Coema) aprovou alicença prévia para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) Parangaba-Mucuripe, umadas obras para a Copa de 2014. Com isso, o governo pode iniciar o processo de desapropriaçãode cerca de cinco mil famílias, em 22 comunidades de Fortaleza.

Deacordo com Cássia Sales, moradora da comunidade Trilha do Senhor e membro doMovimento de Luta em Defesa da Moradia (MLDM), a reunião foi anti-democrática,pois ocorreu sem a participação dos moradores. Eles foram confinados em sala àparte e tiveram de acompanhar a votação por meio de telão. Apenas seis pessoastiveram acesso à sala da reunião e somente duas delas puderam se colocar.

Amilitante denuncia ainda que a ação do governo consiste em remoção forçada emmassa, violando o direito à moradia. “Não se trata de um projeto paramobilidade urbana; isso já ficou bem claro, porque eles nem apresentaramprojetos alternativos, coisa que todo EIA/Rima [ Estudo de ImpactoAmbiental/Relatório de Impacto ao Meio Ambiente] tem que ter. Se trata dehigienização social”, sentencia.

Segundoela, o governo propôs remover as comunidades para conjuntos habitacionais entreo Conjunto José Walter e o município Maracanaú, região desvalorizada, poiscarece de serviços básicos. “É como se fosse um campo de concentração! Passampor cima da lei orgânica do município, que dispõe que a realocação tem que serfeita no raio de dois quilômetros de distância da moradia antiga”, enfatiza.

Cássiaafirmou ainda que o MLDM vai recorrer na Justiça para que a reunião do Coemaseja anulada. “Vamos continuar lutando por nossos direitos”, arrematou.