Projeto de política de defesa européia é confirmada por ministros

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Publicado sábado, 15 de março de 2003 as 15:24, por: cdb

Os ministros de Defesa da UE confirmaram neste sábado, o projeto de uma política de defesa européia, mas ressaltaram mais uma vez suas discrepâncias sobre a crise do Iraque, muitos deles resignados a uma possível guerra.

“O debate confirmou, obviamente, um determinado número de divergências nos pontos de vista dos países a respeito da efetividade das Nações Unidas para que o Iraque se desfaça das armas de destruição em massa”, declarou o ministro grego de Defesa, Yannos Papantoniu, que presidiu a reunião.

Em uma coletiva de imprensa, Papantoniu disse que “o mundo atravessa uma crise e uma série de decisões cruciais serão tomadas nos próximos dias e semanas que dizem respeito a resolução da crise iraquiana”.

O ministro deixou claro que os Quinze continuam “absolutamente unidos no objetivo e percebem a natureza do regime iraquiano em termos pontuais: é um regime ditatorial, repressivo e despótico”.

O segundo dia da reunião de ministros de Defesa no balneário de Vuliagmeni, ao sul de Atenas, começou com um debate sobre o Iraque em um ambiente de pessimismo, pois para muitos a guerra é iminente, depois de uma longa noite de contatos bilaterais.

“Ninguém pode ser otimista sobre a perspectiva de uma solução pacífica”, declarou Papantoniu, no começo do debate.

“Todos estão vendo como as grandes nuvens da guerra estão crescendo. Existem vozes importantes nos EUA que estão decididas à opção militar”.

O ministro britânico do Exército, Adam Ingram, afirmou que é provável que a comunidade internacional esteja na fase prévia de um conflito bélico no Iraque.

Perguntado sobre se partilha a opinião do ministro de Defesa belga, André Flahaut, no sentido de que a guerra poderia ser instalada nos próximos dias, Ingram disse que “a linguagem utilizada nos últimos dias em Londres poderia também nos levar a essa conclusão”.

“Agora há menos oportunidades de ter uma segunda resolução”, mas isso não quer dizer que não devamos continuar com o processo diplomático, disse.

No término do encontro, Ingram especificou que “é melhor não especular” sobre a guerra como fez “o colega belga”.

O Alto Representante da Política Externa e de Segurança da UE, Javier Solana, admitiu hoje que “não é muito otimista”, para destacar no término do encontro que não quer entrar em uma lógica de guerra porque ainda há espaço para a paz.

Apesar de tudo, os Quinze deram neste sábado o pontapé inicial ao projeto de integração européia nos âmbitos de defesa e segurança e confirmaram sua determinação para dirigir a primeira operação militar de paz de sua história “no final de março”, na Macedônia, relevando a Otan, como confirmou neste sábado Solana em entrevista coletiva.

Também se mostraram resolutos em substituir a Otan na Bósnia, onde a SFOR conta com 13.000 militares, em 2004 “embora com uma missão talvez mais reduzida, mas a UE deve permanecer nos Bálcãs para garantir a estabilidade”, segundo declarou Papantoniu.

A presidência da UE vai declarar plenamente operacional no próximo mês de maio a Força Militar de Reação Rápida Européia, depois de uma reunião sobre as capacidades militares que os ministros de Defesa fizeram em Bruxelas e essa decisão será confirmada pelos líderes dos Quinze em Salônica, em junho, segundo Papantoniu.

“Agora, a defesa européia é um fato”, assim como o “exército europeu”, falou o responsável grego.

Ele admitiu que em maio não terão acumulado todas as lacunas em meios militares que necessita a União Européia, mas os Quinze disporão dos meios necessários para que a força de reação rápida européia esteja plenamente em funcionamento e “possa atuar”.

A chamada Força de Reação Rápida vai contar com 60.000 militares e será capaz de se deslocar em 60 dias para a gestão de crises regionais e missões de manutenção e imposição da paz.

Essa força contará com 5.000 soldados que vai poder se deslocar em um prazo de 5 a 30 dias para responder a crises urgentes, como emergências humanitárias em