Programa nuclear de Lula é omitido do programa de energia

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Publicado terça-feira, 24 de outubro de 2006 as 18:10, por: cdb

A discussão sobre a construção de novas usinas nucleares no Brasil é uma das únicas novidades previstas no setor de energia para um possível segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo assim, o tema ficou fora do programa de energia lançado pelo Partido dos Trabalhadores nesta terça-feira.

Sem saber explicar o motivo da ausência do assunto no documento, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e secretário executivo da Comissão Temática do PT, Maurício Tolmasquim, admitiu que o tom do programa de energia do partido é de continuidade, mas ressaltou que a energia nuclear faz parte sim dos planos do governo.

– A (energia) nuclear é uma prioridade do governo sim…no segundo mandato não se colocou (no programa) porque não foi decidida ainda -, se atrapalhou Tolmasquim ao responder a jornalistas durante o lançamento do programa.

Ele argumentou que o Brasil tem a sexta reserva de urânio do mundo, o que abriria espaço para a energia nuclear se tornar mais forte na matriz energética brasileira, hoje com peso de apenas 2,5 por cento.

– Terá energia nuclear nela (matriz energética), mas não estão definidas quantas usinas, o presidente é que vai decidir -, explicou.

Além da construção de Angra 3, que tem 80 por cento dos seus equipamentos já adquiridos, é possível que pequenas usinas também sejam construídas, indicou Tolmasquim. Acompanhado por petistas ou aliados que integram cargos de estatais, entre eles o presidente da Eletrobrás, Aloisio Vasconcelos; a presidente da BR Distribuidora, Maria das Graças Foster; o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella; e o presidente da ANP, Haroldo Lima, Tolmasquim apresentou para cerca de 200 pessoas mais um balanço do que propostas.

Com 34 páginas, onde o nome do antecessor Fernando Henrique Cardoso aparece quase tanto quanto o do próprio Lula, devido às comparações em relação ao governo anterior, o programa só veio a público agora porque “levou tempo para ser impresso”.

– Esse programa é a melhor oportunidade que temos de comparar os dois governos -, justificou o executivo, que não soube responder porque não havia programa de energia no 1o turno.

Do total de páginas, cerca de sete são de propostas para o segundo mandato, que também já são conhecidas, como a construção das usinas hidrelétricas de Belo Monte e Rio Madeira e a interligação do sistema isolado do Norte do país. Segundo Tolmasquim, a falta de novidades e a imensa quantidade de verbos como manter e continuar indicam que as decisões até o momento foram acertadas.

– Se vocês querem uma linha central, a linha central é de continuidade, claro que corrigindo rumos, aprimorando, mas é continuidade -, avaliou.

Mudanças radicais no entanto eram defendidas por participantes do ato, que panfletavam palavras de ordem como o fim dos leilões de petróleo e gás promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustível (ANP).