Produtores de cachaça discutem comercialização do produto

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Publicado quarta-feira, 8 de outubro de 2003 as 13:16, por: cdb

A utilização da denominação “artesanal” para a cachaça produzida em alambique tipo cebola foi uma das inúmeras questões debatidas entre os 150 participantes e os palestrantes convidados do 1º Encontro de Produtores de Cachaça do Norte do Paraná, retratando a grande expectativa em relação aos novos rumos da atividade.

A possibilidade de agregar valor ao produto com o envelhecimento, a capacitação dos produtores e a potencialidade do setor no mercado interno e externo foram debatidas. Questões relativas à legislação, que deveria facilitar ao pequeno produtor de cachaça a colocação do produto no mercado e sair da informalidade, as normas legais de viabilizar a produção da cachaça orgânica e a atuação dos produtores em forma de cooperativa também foram debatidas.

O evento, realizado em Londrina na semana passada, reafirmou a intenção por parte dos produtores de incluir a cachaça paranaense no foco de atenção das instituições oficiais e privadas para proporcionar competitividade. Segundo o diretor do Departamento de Desenvolvimento Agropecuário da SEAB, Carlos Roberto Bittencourt, nos próximos dias as entidades envolvidas do setor produtivo de cachaça – Seab, Emater, Sebrae, Aprocapar dentre outros – deverão realizar uma reunião para discutir a organização dos produtores e da produção e formalização de um plano de trabalho.

A curto prazo, o trabalho de melhoria da qualidade do produto dentro da propriedade rural será viabilizado por meio de um programa de capacitação da equipe que trabalha no alambique. “O trabalho é árduo, porém recompensador”, afirma Renato Garcia de Lima, responsável pela realização do 1o Curso para Produção de Cachaça de Qualidade, destinado a 25 participantes, que vai ser realizado em dois módulos (30-31/10 e 6-7/11) em Londrina.

Paralelamente, no dia 3 de outubro, foi publicado o decreto no. 4851, definindo que cachaça é nome típico e exclusivo da bebida de aguardente proveniente da destilação do mosto fermentado da cana-de-açúcar produzida no Brasil, com graduação alcoólica variando de 38% a 48% em volume, a 20º Celsius. Era o contraponto esperado em função da concorrência dos destilados internacionais como rum, tequila, vodca e outros, projetando o Brasil nos diversos países consumidores.

No Paraná, considerado o segundo produtor de cana-de-açúcar do país depois de São Paulo, a realidade dos produtores de cachaça é bem peculiar. Em função da realização do encontro de Londrina os executores regionais do Programa Agroindústria Familiar Fábrica do Agricultor da Emater-Paraná estão realizando um primeiro levantamento pontual visando dimensionar a quantidade aproximada de produtores que estão na atividade.

Segundo o executor regional de Londrina, engenheiro agrônomo Gervásio Vieira, coordenador técnico do evento, as informações preliminares apontam que a produção de cachaça é feita por agricultores familiares produzindo pequenos volumes, “apenas 13 estabelecimentos estão registrados no Ministério da Agricultura, sendo que o restante da produção está na informalidade”, afirma o extensionista Gervásio Vieira.