Procuradores da República querem novo depoimento de Nilson Teixeira

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Publicado sexta-feira, 19 de setembro de 2003 as 04:09, por: cdb

Os procuradores da República em Mato Grosso José Pedro Taques e João Gilberto Gonçalves Filho vão tomar novo depoimento do ex-gerente das factorings de João Arcanjo Ribeiro, Nilson Teixeira.
 
A intenção é fazer com que Teixeira detalhe o suposto esquema montado com empresas privadas para lavar na Confiança Factoring o dinheiro público que teria sido usado na campanha que reelegeu Dante de Oliveira governador do estado e levou Antero Paes de Barros ao Senado, em 1998.

Os procuradores esperam que Teixeira revele, entre outras coisas, nomes, dias e os horários das remessas de dinheiro assim como o número das contas bancárias daqueles que seriam fornecedores da campanha.
 
– Queremos levantar tudo aquilo que possa configurar tais operações financeiras – declarou João Gilberto.

O depoimento do ex-governador Dante de Oliveira, prestado ontem pela manhã, não teria acrescentado nada que pudesse ajudar a Procuradoria a esclarecer as denúncias de Nilson Teixeira sobre o uso de verbas públicas no patrocínio de campanhas políticas, segundo o procurador João Gilberto.

Depois de interrogá-lo por quase três horas, Pedro Taques e João Gilberto concluíram que precisam ouvir Nilson Teixeira novamente e promover diligências. Mas tanto a data do novo interrogatório quanto o tipo de investigação que farão, os procuradores disseram que ainda estão definindo.
 
Dante negou as acusações de uso de recursos dos sofres estaduais em campanhas políticas, disse que desconhece e não acredita que seus ex-secretários Carlos Avalone Júnior, José Carlos Novelli e Walter Albano tenham negociado empréstimos com factorings.

– Se houve alguma negociação, foram feitas dentro da lei – respondeu Dante ao ser questionado sobre a confirmação de Avalone Júnior, coordenador financeiro da campanha de 1998, que em depoimento no início da semana disse ter pego na factoring dinheiro doado por empresários de diversos setores, além de receber doações de combustíveis dos postos América, de propriedade de Nilson Teixeira.

Mas não saberia explicar porque 27 cheques do extinto Departamento de Viação e Obras (DVOP), na época presidido por Novelli, num total de R$ 1,7 milhão, apareceram na movimentação financeira da Confiança Factoring.
 
Dante disse que nunca autorizou ninguém a pegar dinheiro em factoring para sua campanha e que o ofício encaminhado ao Banco do Brasil pelo então secretário de Fazenda, Walter Albano, usado pela Assembléia Legislativa para antecipar empréstimos na Confiança Factoring fazia parte de uma negociação de dívida do Estado com a AL.

Conforme o ex-governador, o ofício era a garantia de que cerca de R$ 5,9 milhões seriam repassados como sinal de que o governo começaria a pagar os R$ 17 milhões que a justiça reconheceu como direito do Estado com o Legislativo.
 
O procurador disse que é muito estranho que alguém tivesse tanta confiança com seus subordinados, como dizia ter o ex-governador Dante de Oliveira, não soubesse o que esses aliados faziam.
Dante deixou com os procuradores e a imprensa uma tabela de repasses feitos durante seus dois mandatos, 1995 a 2002, em duodécimos para a Assembléia.
 
Anualmente, os valores variaram entre R$ 130 e 149 milhões, o que corresponderia entre 3,09 e 4,87% da receita total do Estado.