Processo de autonomia do BC será concluído em 2004, diz Meirelles

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Publicado terça-feira, 25 de março de 2003 as 11:37, por: cdb

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista coletiva, disse que o processo final de aprovação de autonomia operacional da instituição será concluído em 2004. Ele ressaltou que “na prática o BC já operava e continua operando com total independência, sem interferências”, mas que a aprovação formal da nova legislação tem um significado psicológico importante para os mercados.

“A aprovação da autonomia operacional do BC não vai alterar em nada a nossa atuação, pois a autonomia já existe de fato”, afirmou. Ele negou que o processo de autonomia esteja sendo retardado pelo debate sobre o artigo 192. “Estamos dentro do cronograma e iniciando o processo legislativo absolutamente normal”, disse o presidente do BC.

Meirelles disse ainda que nos diversos contatos que está mantendo com investidores que participam da reunião anual do BID tem esclarecido que as reformas tributária e previdenciária de maneira alguma afetam a meta de superávit primário nesse ano.

“Tenho esclarecido aos investidores que as reformas são importantes, fundamentais no longo prazo mas que não afetam as contas do País em 2003. As reformas têm urgência política mas não urgência de solvência financeira”, disse Meirelles. Ele acrescentou que espera que a proposta de reforma da Previdência seja apresentada ao Congresso em junho ou julho próximos.

Linhas de financiamento estão sendo renovadas em 110%

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que tem apresentado aos investidores estrangeiros dados bem conservadores que indicam um cenário de estabilidade do País. Ele citou como exemplo o índice de renovação das linhas de crédito comercial banco a banco. No cenário traçado pelo BC, tomou-se como base um índice de 90% de renovação das linhas nesse ano mas até agora esse índice já supera os 110%.

Sobre a redução da estimativa do BC para a entrada de investimentos diretos estrangeiros para 2003 de US$ 15 bilhões para US$ 13 bilhões, Meirelles disse que se trata de um fenômeno global de redução nos fluxos de capitais. Mas ele acha que essa tendência de redução já está chegando no limite, no caso brasileiro. “Acredito que estamos muito próximos do piso desses fluxos para o País”.

Ele reiterou que a mensagem do governo brasileiro vem
sendo “extremamente bem recebida” pelos investidores externos. O presidente do BC embarca hoje à noite para o Brasil, depois de permanecer três dias em Milão participando de reunião anual do BID.