Primeiro soldado americano morre em combate no Afeganistão

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 5 de janeiro de 2002 as 00:08, por: cdb

Um representante do Ministério da Defesa dos Estados Unidos informou que um soldado das forças de elite americanas foi morto nesta sexta-feira em uma troca de tiros no Afeganistão. Trata-se do primeiro soldado americano a morrer em combate em cerca de três meses de ofensiva no país. O general responsável pela campanha militar no Afeganistão, Tommy Franks disse que o soldado morreu na região de Khost e Gardez, no leste afegão.

Ele estaria envolvido em um combate contra grupos tribais locais. Outros soldados americanos já haviam morrido no Afeganistão, alguns inclusive por causa dos bombardeios de aviões dos Estados Unidos – mas até agora ninguém havia morrido em uma troca de tiros. No dia 25 de novembro, um agente da CIA havia morrido durante uma revolta em uma prisão no norte do país.

Há informações de que mais de 30 pessoas foram mortas nesta sexta-feira em bombardeios americanos no leste do Afeganistão. Segundo a agência de notícias afegã Afghan Islamic Press, um total de 32 pessoas teriam morrido nos ataques, perto da cidade de Khost, no leste do país.

Antes, em Washington, o Pentágono confirmou que os ataques aéreos no Afeganistão haviam sido retomados, depois de uma pausa de vários dias. O comandante militar dos Estados Unidos, general Richard Myers, disse que os alvos do ataque foram instalações militares no leste afegão, incluindo locais para treinamento, onde militantes da organização Al-Qaeda estariam tentando se reagrupar.

Também nesta sexta-feira, foi fechado um acordo formal para o desembarque de uma força de paz internacional no Afeganistão. Em uma cerimônia na capital afegã, Cabul, o ministro do Interior do país, Yunis Qanuni, e o general britânico John McColl firmaram o documento, cujas linhas gerais foram divulgadas no fim de semana passado. “Nós esperamos que a assinatura do acordo traga a estabilidade e a paz que o Afeganistão tem necessitado há tantos anos”, disse o primeiro-ministro Hamid Karzai, líder do governo de transição no país.

“Nós também temos esperança de que a cooperação entre o estado afegão e a força de paz internacional da ONU leve ao fim absoluto da presença do terrorismo no Afeganistão”, completou.

Representantes das forças armadas dos Estados Unidos estiveram presentes à reunião, assim como os ministros afegãos da Defesa, Mohammad Qasim Fahim e de assuntos de fronteira, Amanullah Zadran. A força de paz deve ser liderada pelo general John McColl. A criação dessa força internacional foi autorizada em resolução do Conselho de Segurança da ONU em dezembro. No entanto, divergências sobre o número de tropas, local para onde elas deveriam ser levadas, tempo de permanência em território afegão e outros detalhes, vinham adiando a assinatura do acordo.