Primeiro-ministro da ANP está satisfeito com diálogo da Palestina

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Publicado sábado, 20 de setembro de 2003 as 19:10, por: cdb

O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ahmed Qorei (Abú Alá), se mostrou, neste sábado, satisfeito com os contatos com as diversas facções palestinas para retomar uma trégua na região, desta vez com Israel como parte integral.
 
– Abú Alá tem intenções de manter os contatos na próxima segunda-feira de forma pessoal, embora as conversações prossigam de forma discreta – disse uma fonte do Governo palestino em Gaza.

A fonte explicou que pessoas próximas ao primeiro-ministro trabalham sobre a premissa de uma ‘trégua geral’, ou seja, com Israel.
 
 A trégua administrada pelo primeiro-ministro anterior, Mahmud Abas (Abu Mazen), foi feita com os grupos armados, sem um compromisso tácito de Israel, cujo Governo só se comprometeu a suspender os ‘assassinatos seletivos’ e mesmo assim por pressões dos Estados Unidos, para dar uma oportunidade ao novo Executivo palestino.

– Desta vez estão trabalhando em uma trégua que inclua todas as partes e com a qual seja possível levar o processo de paz adiante – acrescentou a fonte.

Os contatos ocorrem em Gaza e o primeiro-ministro palestino, que ainda não assumiu o cargo de forma oficial, expressou sua satisfação em declarações publicadas hoje pelo jornal palestino Al-Ayyam.
 
– O Hamas e a Jihad Islâmica também entendem a importância de manter a unidade nacional – disse Abu Alá.

O dirigente palestino rejeita na entrevista os argumentos de Israel de que seu Governo será julgado ‘pelos fatos e não pelas palavras’, ou seja pelo desmantelamento das organizações armadas.
 
Israel rejeita a possibilidade de uma trégua e sustenta que qualquer situação em que os grupos armados conservem intacto seu poderio bélico é um perigo ainda maior para o futuro, já que o fim das hostilidades permitirá a reorganização destes grupos.

Sobre o papel do líder palestino Yasser Arafat em seu Governo, Abú Alá pede a Washington que o aceite outra vez como o ‘líder legítimo e eleito’ dos palestinos e exigiu que ele seja considerado um ‘sócio verdadeiro para a paz’.
 
O primeiro-ministro afirma que a postura de Washington de marginalizar ao líder ‘eleito democraticamente’ dos palestinos significa um obstáculo para os esforços de paz.

No entanto, neste sábado fontes palestinas informaram anonimamente que o enviado americano para o ‘Mapa de Caminho’, John Wolf, comunicou a Abú Alá, que ‘Washington não colaborará com ele se Arafat estiver atrás’ de seu Governo ou se controlar recursos financeiros ou de segurança.
 
Até agora Arafat se negou a unificar os grupos de segurança palestinos sob o comando exclusivo do Executivo da ANP.