Previdência de Marília descobre fraude de R$ 800 mil em Tupã

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Publicado quarta-feira, 19 de março de 2003 as 20:46, por: cdb

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira, em flagrante, um aposentado do INSS, a advogada Maristela Torres Curci e o funcionário adiministrativo do INSS Sérgio de Oliveira, acusados de envolvimento em fraudes na área de benefícios na cidade de Tupã.

O segurado foi solto logo em seguida, mas o funcionário do INSS e a advogada continuam presos, por serem suspeitos de fraudar 89 processos de benefícios, num valor estimado em R$ 800 mil. Há indícios de envolvimento de outros dois advogados nesse esquema.

As prisões foram feitas com base em denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal pelo gerente-executivo da Previdência Social de Marília, Paulo Gonzaga Bueno, responsável também por Tupã. Ele desconfiou do excesso de pagamentos de valores altos referentes a revisão de benefícios na agência do órgão em Tupã no ano passado e apurou que o funcionário liberava o pagamento a segurados que já não tinham mais esse direto, por causa do vencimento de prazo para esse pedido.

Segundo o procurador da República em Marília, Jefferson Aparecido Dias, a advogada e o funcionário do INSS podem ter embolsado, em alguns casos, até 100% do valor que seria destinado aos aposentados. Esse é um dos itens que vêm sendo apurado no processo contra eles. O último golpe, que foi impedido pela prisão dos envolvidos, lesaria os cofres da Previdência Social em R$ 25 mil.

De acordo com o gerente-executivo da Previdência, o funcionário do INSS de Tupã levantava na agência da cidade os nomes dos segurados que poderiam ser incluídos no esquema, por causa do período em que se aposentaram, e os repassava à advogada para que ela fizesse o contato com eles. Essas fraudes foram detectadas há cerca de dois meses, mas há a suspeita de que elas venham ocorrendo desde 1999.

Os acusados deverão ser indiciados por estelionato, utilização de documento falsificado e por inserção de informações falsas em banco de dados, informou o Ministério Público Federal.

Além disso, a Gerência da Previdência Social de Marília abriu processo administrativo para que a auditoria do órgão apure o ocorrido e defina a punição do servidor, que poderá ser demitido.

O funcionário está preso em Tupã e a advogada foi encaminhada para o presídio feminino do município de Herculândia, na mesma região.