Presidente do Egito quer reaproximação com o Irã

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Publicado segunda-feira, 25 de junho de 2012 as 10:37, por: cdb
Egito
Depois do anúncio de que Mursi havia derrotado o ex-brigadeiro Ahmed Shafik, o Irã cumprimentou o Egito pela "esplêndida visão de democracia" que marcou a fase final do "despertar islâmico" do país

O presidente-eleito do Egito, Mohammed Mursi, do partido Irmandade Muçulmana, disse em entrevista publicada nesta segunda-feira no Irã que deseja restabelecer as relações entre os dois países, de modo a criar um “equilíbrio” estratégico na região.

As declarações podem preocupar algumas potências ocidentais que tentam isolar o Irã devido ao programa nuclear da República Islâmica.

Egito e Irã romperam relações há mais de 30 anos, mas vêm demonstrando um desejo de reaproximação desde a revolução que depôs o presidente egípcio Hosni Mubarak, no ano passado.

– Devemos restaurar relações normais com o Irã com base em interesses partilhados, e ampliar as áreas de coordenação política e cooperação econômica, porque isso irá criar um equilíbrio de pressão na região – disse Mursina transcrição da entrevista à agência iraniana Fars.

A Fars disse ter entrevistado Mursi horas antes da oficialização da sua vitória eleitoral, no domingo.

O político islâmico negou que tenha a intenção de escolher a Arábia Saudita como sua primeira viagem oficial, e disse que o destino não está escolhido.

Depois do anúncio de que Mursi havia derrotado o ex-brigadeiro Ahmed Shafik, último premiê de Mubarak, o Irã cumprimentou o Egito pela “esplêndida visão de democracia” que marcou a fase final do “despertar islâmico” do país.

Já o Ocidente, Israel e países árabes do Golfo Pérsico reagiram com cautela ao resultado, saudando o processo democrático que levou à eleição de Mursi, mas salientando que a estabilidade no Egito é a maior prioridade.

Ao contrário do que Mursi disse pela TV após ser declarado vencedor, a agência Fars afirmou ter ouvido do novo presidente egípcio que o acordo de paz de 1979 entre Israel e Egito “será revisto”.

O acordo é um dos pilares da política dos EUA no Oriente Médio, e foi firmemente preservado por Mubarak apesar da sua impopularidade entre os egípcios. Mubarak também perseguia politicamente a Irmandade Muçulmana, à qual Mursi pertence.

O acordo entre Egito e Israel ocorreu no mesmo ano da Revolução Islâmica no Irã, e os dois fatos, juntos, levaram ao rompimento de relações entre Egito e Irã em 1980. Os dois países mantêm apenas “seções de interesse” nas respectivas capitais.

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