Presidente do Chile acha prazo para desarmamento muito curto

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 8 de março de 2003 as 17:39, por: cdb

O presidente do Chile, Ricardo Lagos, disse neste sábado, que 17 de março é um prazo “muito curto” e deixa muito pouco espaço para demonstrar que o Iraque está cumprindo com o desarmamento, ao referir-se à proposta apresentada ontem ao Conselho de Segurança da ONU por EUA, Grã-Bretanha e Espanha.

Em entrevista à rádio chilena W, Lagos contou que falou com o presidente americano George W. Bush por telefone na última sexta-feira.

“O que ele solicitou era um apoio à resolução que delinearam ontem. Ele me disse que as remodelações dessa resolução tinham a ver com os apontamentos feitos pelo Chile, e lhe indiquei que ainda tínhamos que estudá-la cuidadosamente, mas via que deixava muito pouco espaço” para o desarmamento, disse Lagos.

Questionado pelos jornalistas sobre se era possível conseguir o desarmamento do Iraque antes de 17 de março, o presidente chileno disse ser “muito difícil”

O projeto apresentado ontem por EUA, Grã-Bretanha e Espanha pode ser votado na próxima semana no Conselho de Segurança de Nações Unidas, ao qual o Chile ingressou em 1 de janeiro como membro não-permanente.

“É impossível obter aquilo (o desarmamento do Iraque) em um prazo daqui a 17 de março”, disse Lagos, ao tempo em que acrescentou que entende o esforço da resolução dos EUA de dar um prazo adicional, mas ressalta que “esse prazo ainda é muito pequeno”.

Também comentou que é preciso haver “maior clareza sobre quais são as exigências concretas que nestas matérias se deseja fazer a Saddam Hussein”.

“Isto não ficou claro para a opinião pública e é indispensável fazê-lo. Isso é o que estivemos pedindo nos últimos 15 dias”, disse o governante chileno.

“A destruição dessas armas pode demorar dois, três ou quatro meses”, acrescentou.

O chefe de Estado também afirmou que o que mais o preocupa é que as Nações Unidas estão “em uma situação muito crítica”.

“Queremos preservar as Nações Unidas como o corpo onde sejam tomadas as decisões. Se as decisões são tomadas fora do organismo acho que será muito negativo”, afirmou.

O presidente chileno reconheceu também que ontem, sexta-feira, manteve comunicação com seus pares do Peru, da Colômbia e do México, a que explicou a postura que Chile manteve nas Nações Unidas.

Disse que o Chile fez “um apontamento sério” e disse primeiro que quer que os cinco grandes cheguem a um consenso, para estar ao lado deles colaborando para que se chegue a um entendimento e não para “esconder-nos atrás deles”.

Também, e em alusão a opiniões da oposição de direita que disse que o Chile pagará alto por fazer parte do Conselho de Segurança, o governante disse que o país está aí “porque foi eleito e porque assume responsabilidades”.

“Acho que os países não pagam custos quando tomam decisões, os países o que fazem é fixar seus princípios nestes foros”, afirmou.

Lagos também descartou que o Tratado de Livre Comércio que o Chile negociou com os EUA possa ter alguma influência sobre o voto do Chile no Conselho de Segurança.

“O Tratado de Livre Comércio não é um presente que os EUA deram ao Chile nem muito menos um presente do Chile aos EUA. O tratado foi assinado porque é em benefício para que ambos os países tenham uma capacidade de um comércio mais ativo entre ambos”, garantiu.