Presidente do Benin pede à Dilma que exerça liderança em favor da África

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Publicado sexta-feira, 23 de março de 2012 as 14:33, por: cdb

Presidente do Benin pede à Dilma que exerça liderança em favor da ÁfricaO presidente do Benin, Boni Yayi, pediu à presidenta Dilma Rousseff, nesta sexta-feira (23), que exerça papel de liderança em prol do desenvolvimento da África, durante a 4ª Reunião de Cúpula do Brics, bloco que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Ele também solicitou o apoio da Petrobrás na exploração de petróleo no Benin, além de medicamentos genéricos para tratamento da AIDS e cooperação para a construção de rodovia.

Najla Passos

Brasília – Representando os 54 países que integram a Assembleia da União Africana (UA), o presidente do Benin, Boni Yayi, pediu à presidenta Dilma Rousseff, nesta sexta (23), em audiência no Palácio do Planalto, que exerça papel de liderança em prol do desenvolvimento da África no âmbito dos Brics, o bloco de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Na semana que vem, Dilma participará, da 4ª Reunião de Cúpula do Brics, na Índia.

Yayi, que assumiu a presidência de turno da UA em janeiro deste ano, ressaltou a importância da presidenta brasileira usar sua liderança para viabilizar o desenvolvimento do continente africano, que padece com guerras civis, problemas de falta de infra-estrutura e miséria. “A África é dez vezes maior que a Europa, quatro vezes maior que a Índia e três vezes maior que a China. Possui petróleo, gás, diamante, minério. Todo tipo de riqueza está concentrada no continente”, destacou o presidente, em pronunciamento à imprensa.

Para ele, é essencial que Brasil, Estados Unidos e França trabalhem em equipe não apenas para melhorar a situação socioeconômica, alavancando o crescimento da África, mas também para ajudar a estancar as guerras e conflitos que assolam a região. “Passamos por graves crises na Líbia e na Nigéria. Queremos resolver estes problemas para viver em paz”, disse.

Em dezembro do ano passado, durante café da manhã com jornalistas, a presidenta afirmou que, em 2012, daria “uma atenção especial à África”. No seu primeiro ano de mandato, ela viajou apenas uma vez para o continente, para visitar África do Sul, Moçambique e Angola. E recebeu apenas dois líderes africanos – os presidentes de Guiné e Cabo Vede, que participaram, em novembro, das comemorações do Ano Internacional dos Afrodescendentes, realizadas em Salvador (BA).

Segundo Yayi, a presidenta se comprometeu a visitar o continente, em maio deste ano, para participar de um encontro entre lideranças dos países africanos e sul-americanos. E acenou positivamente em relação ao pedido de aprofundamento das relações bilaterais com o Benin.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), as relações entre os dois países vêm se intensificando desde 2006, quando o Brasil inaugurou sua embaixada em Cotonou, a sede do governo e maior cidade de Benin. No ano passado, o comércio bilateral ultrapassou US$ 139 milhões, um crescimento de 225% em relação a 2006.

Na visita desta sexta, o líder africano solicitou à presidenta Dilma apoio da Petrobrás para viabilizar a exploração de petróleo no país que foi suspensa há alguns anos, depois que as reservas mais superficiais se exauriram. “Dilma se comprometeu a acelerar o acordo de cooperação para pesquisa petrolífera que pleiteamos com esta grande empresa brasileira que é a Petrobrás”, explicou.

Yayi também pediu que o Brasil doe medicamentos genéricos para conter a epidemia de AIDS, que atinge cerca de 1% da população do país, de quase 9 milhões de habitantes. “Queremos evitar que nossas crianças já nasçam soropositivas, como vem ocorrendo hoje”, justificou. Ele reivindicou, ainda, apoio brasileiro para a construção da rodovia que irá cortar o país de norte a sul, orçada em US$ 14 milhões.

O Benin é um dos menores países africanos, cravado na costa oeste do continente, entre a Nigéria e o Togo. Ex-colônia francesa, viveu 1972 a 1989 sob um regime de esquerda, que reestatizou empresas de grande porte, mas manteve a agricultura, que até hoje responde pela maior parte do seu Produto Interno Bruto (PIB), em mãos privadas. Depois da experiência comunista, criou um sistema multipartidarista, considerado modelo de democracia no continente. Yayi foi eleito presidente em 2006.

Fotos: Wilson Dias/ABr