Presidente da OAB afirma que Rio vive barbárie diária

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Publicado sexta-feira, 2 de dezembro de 2005 as 13:21, por: cdb

A barbárie está instalada no Rio de Janeiro. Com essa afirmação, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, denunciou, nesta sexta-feira, o clima de terror vivido no Rio de Janeiro, principalmente os últimos fatos, envolvendo a chacina de cinco pessoas, carbonizadas em ataque a um ônibus na terça-feira, seguida do assassinato de quatro bandidos que participaram do atentado por traficantes que alegam fazer justiça.

A denúncia foi feita na abertura da reunião do Conselho dos Colégios e Ordens de Advogados do Mecosul (Coadem), realizada no Colégio da Ordem dos Advogados do Uruguai.

– O que está acontecendo no Rio é sinal da instalação da barbárie, é fruto da falta de um Estado ativo e atuante no campo da segurança pública; e tudo isso, que estamos denunciando há tempos e clamando pela necessidade de uma política de segurança séria e eficiente, acaba gerando esse sentimento de impunidade e sentimento de auto-regulamentação da punição – explicou Busato.

O presidente da OAB se referiu à execução dos autores do atentado ao ônibus por outros bandidos .

– Isso não pode absolutamente acontecer, é a barbárie – declarou.

O presidente nacional da OAB lembrou que o País viveu início de 2004 um caso de grande repercussão de ”justiçamento” de bandidos por bandidos, ocorrida no presídio Urso Branco, de Rondônia, onde presos amotinados decapitaram colegas de cela.

– Aqueles atos de barbárie ocorreram dentro do presídio, um ambiente altamente pernicioso, ao passo que o que assistimos agora no Rio de Janeiro acontece a céu aberto – afirmou.

Busato ressaltou, todavia, que o que ocorreu agora, no Rio de Janeiro, a céu aberto, ”é absolutamente incompatível com a cidadania e a civilização; não se pode aceitar de forma nenhuma e é uma prova cabal da forma de operosidade, da falta de eficiência dos poderes públicos do Rio de Janeiro”.

– As chacinas do Urso Branco, onde os próprios presos regulavam as sanções daqueles que delinqüiam, evidenciaram também e mais uma vez a inoperância dos Poderes públicos, mas se acreditava que aquilo, um ato igualmente condenável e inaceitável, ficasse circunscrito àquele ambiente altamente pernicioso, onde há pessoas com um nível de degradação cívica muito grande – concluiu.