Presença da PM no morro ‘dá insegurança’, diz secretário do Rio

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Publicado terça-feira, 3 de junho de 2003 as 20:14, por: cdb

O secretário de Esportes do Estado do Rio, Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, afirmou nesta terça-feira que a presença da Polícia Militar no morro “dá insegurança”, em vez de proteção.

– No morro dá insegurança. No asfalto dá segurança. Dentro do morro a realidade é uma. No asfalto, é outra – argumentou Carvalho, ao prestar depoimento na Comissão de Segurança da Assembléia Legislativa do Rio.

Ele é acusado de envolvimento com o tráfico de drogas no morro da Mangueira (zona norte). Em fevereiro, o tenente-coronel Erir da Costa Filho, então comandante do 4º BPM, informou à Secretaria de Segurança ter recebido de Chiquinho pedido de “trégua” na repressão ao tráfico na Mangueira. Ele foi exonerado no mês passado pelo secretário Anthony Garotinho.

O secretário afirmou que pediu o fim das operações da Polícia Militar na Mangueira em horário escolar porque foi “cobrado pela comunidade”. Disse que foi mal interpretado pelo ex-comandante do 4º Batalhão.

A Comissão de Segurança da Assembléia investiga a denúncia de Costa Filho. O tenente-coronel prestou depoimento na última sexta-feira e afirmou que, na reunião, o secretário dizia-se ameaçado pelo tráfico. Carvalho nega.

– Ele deve ter entendido mal. Quem estava me cobrando era a comunidade – disse nesta terça-feira.

Depoimento

O secretário afirmou que o pedido ao comandante foi feito para prevenir uma tragédia, embora não tenha havido nenhum incidente entre policiais militares e moradores da Mangueira nos quatro meses (janeiro a abril deste ano) que Costa Filho passou à frente do 4º Batalhão.

Segundo Carvalho, durante as férias escolares os diretores da Vila Olímpica da Mangueira perceberam uma redução do número de participantes da colônia de férias. Organizaram uma reunião com os pais, na qual estes teriam alegado estar com medo de deixar as crianças descerem o morro por causa de incursões policiais.

De acordo com Costa Filho e com o ex-subcomandante do 4º Batalhão, major Roberto Alves Lima, a PM não realizava incursões no morro, e sim policiamento ostensivo.

Carvalho negou a acusação feita pelos agentes penitenciários Odney Fernando da Silva e Evandro de Oliveira Machado, de que teria visitado várias vezes o traficante Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, no presídio Bangu 3.

“Não houve encontro reservado (com Tuchinha) nenhum”, disse o secretário, acrescentando que esteve no máximo quatro vezes no presídio, em 1999, a pedido do então diretor, Lafaiete Fragoso. Os agentes penitenciários falam em oito ou nove vezes.

O secretário confirmou que conhece os traficantes Tuchinha e Alexander Mendes Silva, o Polegar, ambos da Mangueira. Confirmou também que sabia que Anderson Monteiro, um dos líderes comunitários que estava com ele na reunião com Costa Filho, é primo de Tuchinha.

O depoimento de Monteiro estava previsto para esta terça-feira, mas não havia começado até o início da noite. A Comissão de Segurança da Assembléia decidiu convidar para depor os agentes penitenciários e o diretor de Bangu 3 em 1999.

O depoimento do secretário de Segurança, Anthony Garotinho, está marcado para o dia 11, mas sua assessoria afirmou ontem que ele ainda não havia sido oficialmente convocado.