Prêmio Jabuti elege obra juvenil como livro de ficção do ano

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Publicado quinta-feira, 29 de novembro de 2012 as 13:33, por: cdb

“A Mocinha do Mercado Central”, de Stella Maris Rezende, foi escolhido livro do ano de ficção no 54º Prêmio Jabuti, premiação literária mais tradicional do país, em uma edição em que uma polêmica envolvendo as notas atribuídas por um dos três jurados da categoria romance levantou questionamentos sobre o regulamento da honraria. O prêmio foi anunciado na noite desta quarta-feira (28) em cerimônia na Sala São Paulo, na capital paulista.

Stella Maris Rezende foi a vencedora do prêmio de ficção.

A polêmica parece ter sensibilizado os votantes da etapa final do Jabuti, que escolheram uma obra juvenil como livro do ano de ficção no lugar de um romance, gênero que costuma dominar a premiação.Stella agradeceu Câmara Brasileira do Livro e a Globo Livros. “A literatura é a arte que fala com silêncios e cala com palavras”, falou ao receber o prêmio.

O juvenil “A Mocinha do Mercado Central” acompanha as viagens de uma garota do interior de Minas por vários lugares do país, onde adota personalidades e nomes diferentes. Rezende é uma veterana do gênero, com mais de vinte títulos publicados. O livro do ano de ficção foi escolhido entre os primeiros lugares nas categorias romance, contos e crônicas, poesia, infantil e juvenil. 

O livro do ano de não-ficção foi “Saga Brasileira”, da jornalista Miriam Leitão, uma grande reportagem sobre as mudanças monetárias no país até a consolidação do real. Concorriam ao prêmio de livro do ano de não ficção os vencedores nas categorias teoria/crítica literária, reportagem, ciências exatas, tecnologia e informática, economia, administração e negócios, direito, biografia, ciências naturais, ciências da saúde, ciências humanas, didático e paradidático, educação, psicologia e psicanálise, arquitetura e urbanismo, fotografia, comunicação, artes, turismo e hotelaria, gastronomia.

Os vencedores foram escolhidos por votação entre associados da Câmara Brasileira do Livro, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, da Associação Nacional de Livrarias e da Associação Brasileira de Difusão do Livro, além dos jurados das etapas anteriores do Prêmio Jabuti. Na edição deste ano, 49 editoras foram premiadas, considerando os três primeiros lugares de todas as categorias.

Em entrevista coletiva após a premiação, Stella e Miriam ressaltaram a coincidência das vencedoras deste ano serem duas mulheres mineiras. 

Polêmica

A divulgação do vencedor do 54º Prêmio Jabuti na categoria romance foi seguida por uma polêmica devido às notas do jurado identificado como “C” – que a Folha de S.Paulo identificou como o crítico e editor Rodrigo Gurgel. Ele favoreceu autores estreantes ou com poucos livros publicados em detrimento de nomes consagrados e, principalmente, reduziu drasticamente as notas dadas a determinadas obras em fases diferentes da votação.

Ana Maria Machado, que concorria pelo livro “Infâmia” (ed. Objetiva), recebeu de “C” nota zero em dois dos critérios da votação. Se apenas a pontuação dos dois outros jurados – Amilton Pinheiro e Suzana Ramos Ventura –  tivesse sido considerada, ela teria vencido.

Em 26 de setembro, na primeira etapa do prêmio, o romance “Mano, a Noite Está Velha”, de Wilson Bueno, recebeu média 8,67 de Gurgel. Já na segunda etapa do prêmio, levou do jurado a média de 0,33. 

Outro título que caiu bruscamente na avaliação do jurado “C” foi “O Passeador” (Rocco), de Luciana Hidalgo, cuja média passou de 9 a 0,83. Por causa disso, “Nihonjin” (ed. Benvirá), de Oscar Nakasato, foi eleito o melhor romance.

Em entrevista concedida ao UOL em outubro, logo após o anúncio dos vencedores, o curador do prêmio, José Luiz Goldfarb, expressou seu descontentamento com a manipulação matemática das notas pelo jurado “C” e prometeu uma revisão do sistema de avaliação para a edição 2013. Nesta quarta-feira, ele afirmou que ainda não há nada concreto sobre mudanças no regulamento e que haverá uma reunião na quinta-feira para tratar do assunto. As novidades serão anunciadas apenas em janeiro.

Para o curador, a polêmica pode ter influenciado os votos da última fase da premiação, mas “com certeza ela fez as pessoas lerem o livro”.

Este é o terceiro ano consecutivo em que o mais tradicional prêmio literário do país é ofuscado por polêmicas. Em 2010, uma brecha no regulamento, que permitia que os jurados votassem nos três primeiros colocados de cada categoria para o prêmio de livro do ano, levou à escolha de “Leite Derramado”, de Chico Buarque, como livro do ano de ficção depois de ter ficado em segundo lugar na categoria de romance. Em 2011, a primeira lista de finalistas continha diversas publicações que não se adequavam ao regulamento da premiação e acabaram sendo desclassificados.

Com UOL

 

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