Premiê francês nega renúncia diante de escândalo de corrupção

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Publicado terça-feira, 2 de maio de 2006 as 11:42, por: cdb

Primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin descartou, nesta terça-feira a possibilidade de renunciar ao cargo por causa do escândalo sobre contas bancárias secretas que sacode a classe política deste país e prejudica seu principal rival, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, a um ano das eleições presidenciais. Em uma entrevista à rádio privada Europe 1, o chefe de Governo declarou que está a disposição da justiça. Também afirmou que espera o estabelecimento da verdade o mais rápido possível, pois está abalado com a campanha de calúnias da qual é objeto há vários dias.

– Nada justifica que abandone o cargo hoje. Estão me acusando injustamente, tomando como base declarações truncadas. Estou abalado, indignado pela campanha de boatos e calúnias dos últimos dias, que pretende sujar toda nossa democracia – defende-se o premiê, que garantiu contar com a inteira confiança do presidente, Jacques Chirac.

Porém, há vários dias aumentam as dúvidas na França sobre qual foi o papel de Villepin no escândalo Clearstream, nome de uma empresa francesa com sede em Luxemburgo, um dos paraísos fiscais da Europa. Segundo as acusações de um informante anônimo, por meio desta companhia, políticos franceses, entre eles Sarkozy, pode ter aberto contas secretas graças ao pagamento de comissões ilegais.

As informações, publicadas em 2004, eram falsas e o informante é procurado até hoje pela justiça. No entanto, ao que tudo indica, Villepin, então ministro do Interior, pode ter ordenado uma investigação sobre Sarkozy para prejudicá-lo politicamente.

– Nunca pedi que se investigasse uma personalidade política. Nunca houve uma investigação que afetasse Sarkozy – garantiu o primeiro-ministro nesta terça-feira.

Desde o final de 2004 os simpatizantes de Sarkozy acusam Villepin de ter ocultado as conclusões de uma investigação dos serviços de inteligência que livrariam o primeiro de qualquer responsabilidade no caso Clearstream. Além das contas secretas e das comissões ilegais, por trás do escândalo se esconde um novo capítulo da rivalidade entre Sarkozy e Villepin, potenciais candidatos de um mesmo partido, a UMP (direita no poder), à presidência do país em 2007.

Dentro do partido, os adeptos de Villepin denunciam uma tentativa de desestabilizá-lo e os partidários de Sarkozy estão convencidos de que houve uma tentativa de prejudicá-lo para reduzir suas chances em 2007. Nas pesquisas de popularidade, Sarkozy supera sem problemas Villepin, muito debilitado pelos protestos contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), destinado aos jovens, que teve que retirar o projeto em meados de abril ante a pressão das ruas.