Prefeituras paulistas promovem despejos e limpeza social

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Publicado domingo, 7 de maio de 2006 as 13:12, por: cdb

Moradores de áreas periféricas nas cidades na região metropolitana de São Paulo sentem os ecos da limpeza social que atingiu a capital no ano passado. Em São Bernardo do Campo, município da grande São Paulo, a Secretaria de Habitação e Meio Ambiente (Shama) registra 506 demolições e despejos nos últimos 150 dias. Uma ata de reunião da Shama, registrada em 17 de fevereiro e assinada por Ademir Silvestre, secretário de Habitação da cidade, registra que “existe uma orientação para que cessem as ocupações irregulares em São Bernardo” e que “as residências construídas nestas condições terão que ser removidas”.

Há semelhanças entre a política habitacional da prefeitura de São Bernardo, encabeçada por William Dib (PSB), e a “revitalização” engendrada pela prefeitura de São Paulo no ano passado, durante a gestão de José Serra (PSDB). A passividade de Serra e de sua gestão diante das ações de reintegração de posse movidas na Justiça pelos donos dos imóveis ocupados ou pelo próprio Estado levou à extinção de pelo menos cinco grandes ocupações de sem-teto na cidade. Em seis meses (janeiro a dezembro de 2005), cerca de 1.500 pessoas foram despejadas, segundo os movimentos por moradia no centro da cidade de São Paulo.

Barricadas

Em apenas um dia, 24 de abril, outras 1,5 mil pessoas foram desalojadas. Dessa vez em São Bernardo do Campo, na favela Jardim Paraíso. Os moradores armaram barricadas de fogo na entrada da favela para tentar impedir a entrada de cerca de 100 Policiais Militares do 40° Batalhão, que estavam prontos para um enfrentamento. Os ânimos se acalmaram depois que houve negociação entre os moradores e a PM. O Corpo de Bombeiros apagou a barricada, enquanto o funileiro aposentado e presidente da Associação de Moradores, Severino Calixto dos Santos, anunciava a todos os moradores que a resistência chegara ao fim.

Ele explica que não houve tempo de retirar os pertences das famílias e que entre a saída dos moradores e a demolição se passaram vinte minutos.

– Os móveis, eletrodomésticos e roupas das pessoas ainda estão soterrados no entulho – disse.

Os únicos funcionários da prefeitura enviados à desocupação foram os responsáveis por recolher os cachorros abandonados pelos sem-teto.

– Não houve qualquer assistência aos moradores do Jardim Paraíso. A grande maioria ainda não sabe o que fazer, onde morar e vasculha o lixo em busca de suas coisas – diz Antônio Carlos da Silva, conhecido como Toninho da Lanchonete, vereador pelo PT em São Bernardo do Campo.