Preço dos remédios manipulados pode subir no domingo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 15 de agosto de 2001 as 21:32, por: cdb

Proprietários das 4 mil farmácias de manipulação brasileiras vivem um impasse com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É que a partir do dia 19, entra em vigor integralmente a Resolução 33, que regulamenta os estabelecimentos dessa natureza.

Segundo o presidente da Associação Nacional de Farmácias Magistrais (Anfarmag), Evandro Tokarski, a nova regra da Anvisa fará com que os preços finais dos medicamentos fiquem entre 20% e 35% mais caros. Isso se deve à perda de escala na passagem da produção centralizada para a pulverizada, que, por sua vez, dependerá de novos investimentos, como a instalação de equipamentos, garantia da qualidade da água e renovação do ar. O cálculo sobre o aumento do preço exclui a alta do dólar que incide sobre mais de 98% dos insumos usados na produção.

O ponto mais polêmico, e que já foi discutido durante dois anos entre governo e iniciativa privada, diz respeito às lojas, que não poderão mais ser apenas receptoras de aviamentos, e sim laboratórios de fato, conforme registro concedido para sua operação. A medida refere-se à descentralização da produção desse tipo de medicamento, muitas vezes concentrada numa matriz que atende a várias filiais.

O gerente de Inspeção e Controle de Medicamentos e Produtos da Anvisa, Antonio Carlos da Costa Bezerra, explica que a nova regulamentação visa a que a farmácia de manipulação não se transforme em uma indústria de medicamentos, pela grande escala centralizada, nem em entreposto de receituários, como considera lojas que apenas recebem o aviamento e o encaminham a outro local, para a produção.

A farmácia até poderá aceitar as receitas, desde que no local produza ao menos um tipo de medicamento (em creme, líquido, pó ou drágeas). “Isso aumentará a geração de empregos no segmento”, reflete o gerente da Anvisa. A idéia é que o antigo centro de produção passe a fabricar medicamentos de um tipo – por exemplo, cremes – e cada filial produza outros tipos, como líquidos, pós ou drágeas.

O consumidor poderá continuar deixando seu aviamento em uma das filiais da rede normalmente, e esta encaminhará ao local de produção. O paciente retirará o medicamento na filial onde deixou a receita. Mesmo assim, o presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, alerta para o fato de que quanto maior o número de receitas manipuladas em um só local, menor o preço. “E quanto menor esta concentração da produção, mais caro ficará o produto”, completa.