Prazo para desarmamento do Iraque “não é data fatal”, diz Fox

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Publicado domingo, 9 de março de 2003 as 18:29, por: cdb

O presidente do México, Vicente Fox, disse que o prazo de 10 dias dado por EUA, Reino Unido e Espanha ao Iraque para se desarmar “não é uma data fatal e inamovível”.

A Grã-Bretanha apresentou na última sexta-feira (7) uma emenda ao projeto de resolução que impulsiona junto com Espanha e EUA no Conselho de Segurança da ONU, que estende até o próximo dia 17 o prazo dado ao Iraque para cumprir seu desarmamento completo. A proposta britânica será votada esta semana.

“Em dez dias o Iraque não irá se desarmar, isso é óbvio”, disse no último sábado (8) à noite Fox a jornalistas que cobrem a Presidência.

“Eu ainda não aceito que essa data seja fatal e inamovível; já houve várias vezes em que se marca uma data e no final se consegue estender o prazo para se ter mais diálogo, mais discussões e chegar a acordos”, acrescentou.

O governante mexicano insistiu, por outro lado, em buscar uma “saída pacífica” ao conflito, embora reconheça que “tudo parece indicar que há poucas possibilidades de as coisas mudarem”.

O presidente mexicano expressou seu convencimento em que “ainda há chances de se buscar um acercamento” entre as diversas posturas no Conselho de Segurança para conseguir uma “saída pacífica que assegure o desarmamento do Iraque por vias diferentes à guerra”.

“Há algumas expressões sutis, não muito claras e evidentes, de que isto ainda é possível”, disse.

Fox declarou que estas esperanças levam o México a “seguir trabalhando com mais intensidade” para “redobrar esforços” e buscar “que converjam posições que hoje estão muito polarizadas”.

O governante comentou que nos últimos dias, além de conversar com o presidente americano, George W. Bush e os líderes dos países membros do Conselho de Segurança, ampliou os contatos a presidentes de outros países latino-americanos, entre eles Colômbia, Costa Rica e Peru.

O presidente assinalou que o voto do México no Conselho de Segurança será determinado sobre a base das convicções e princípios constitucionais e legais do país em política externa, e garantiu que não será “uma decisão unilateral nem presidencial”.

“Será uma decisão de Estado, mais ampla, através não de uma consulta aberta de opinião pública, mas sim com aqueles que têm uma representação importante da sociedade”, disse.

Fox insistiu que não apoiará um ataque unilateral ao Iraque fora do Conselho de Segurança, porque isso afetaria a ONU.

“Uma decisão unilateral, certamente, enfraquece as Nações Unidas”, destacou o presidente mexicano.

“E isso é algo que devemos proteger, não permitir que aconteça, porque perderíamos um instrumento formidável para dirimir controvérsias e para negociar e regular conflitos, e para aportar um palco de paz e de tranqüilidade no mundo”, acrescentou.