PPS encaminha documento ao governo alertando sobre perda de popularidade

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Publicado sexta-feira, 27 de junho de 2003 as 15:32, por: cdb

Além das críticas à política econômica, o documento do PPS encaminhado ao presidente Lula e ao ministro Ciro Gomes, da Integração Nacional, adverte o Palácio do Planalto para a hipótese de perda de popularidade e deslegitimação social do governo com base na frustração das expectativas populares.

“Há no Brasil um perigoso grito parado no ar, que pode se converter em fonte de energia para operar transformações profundas em nosso País, ou, então, em estoque social de deslegitimação social do novo governo”.

Aliado de Lula no segundo turno da eleição presidencial, o partido de Ciro Gomes observa que “não se governa com as ruas sem ceder ao populismo, mas ignorá-las seria uma temeridade política”.

Numa referência indireta a Leonel Brizola, presidente do PDT, o texto afirma que “o pior de tudo é o perigoso deslocamento para a oposição, mesmo que pontual, de aliados de primeira hora e da própria base histórica que levaram o atual governo ao poder”.

Segundo o texto do PPS, “os setores estratégicos e as atividades essenciais do Estado precisam de parâmetros democráticos e técnicos, sob responsabilidade de quadros de carreira, e não podem ser utilizados partidariamente, muito menos serem objeto de barganhas políticas”.

O documento critica a adoção pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) – que tem vínculos com o PT e o governo e quadros nomeados para administrações do Incra – de velhos “cacoetes revolucionários da dualidade do poder” e afirma que esse comportamento conta “com uma certa tolerância no interior do governo”.

O documento do PPS revela que assusta o partido o aplauso de segmentos do governo a políticas, “ou a inexistência delas, que valorizam o real, enchendo-se ao mesmo tempo de sentimento ufanista e oco. É a platitude de se satisfazer com a queda do risco Brasil e a desvalorização do dólar”, esquecendo-se que foi a desvalorização do real que “impulsionou vários segmentos da nossa economia”.