Powell reconhece divisão no governo e quer volta de inspetores da ONU ao Iraque

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Publicado domingo, 1 de setembro de 2002 as 23:06, por: cdb

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, pediu neste domingo o retorno ao Iraque dos inspetores de armas das Nações Unidas, afirmando que um debate na comunidade internacional é necessário antes de um possível ataque preventivo contra o regime de Saddam Hussein.

Powell minimizou as notícias sobre um possível racha no Governo Bush em relação a como proceder para resolver o impasse com o Iraque. Bush, segundo o secretário, quer que os inspetores voltem ao Iraque, de onde foram expulsos em 1998.

“O Iraque está violando muitas resoluções da ONU pela maior parte dos últimos 11 anos”, disse Powell, em uma entrevista à rede BBC. “E por isso, como primeiro passo, vamos ver o que os inspetores acham. Mandem-nos de volta. Por que eles não conseguem retornar?”

A declaração de Powell sobre os inspetores parece estar em conflito com uma afirmação do vice-presidente, Richard Cheney, que rejeitou sua utilidade.

“A volta dos inspetores não daria nenhuma garantia de que (o Iraque) estaria cumprindo” as resoluções, disse Cheney a um grupo de veteranos de guerra, na semana passada. “Pelo contrário, existe um grande perigo de que isso dê um falso conforto”.

O vice defendeu uma ação preventiva, afirmando: “Os riscos da inação são muito maiores do que o risco da ação”.

Powell, apesar de sua recomendação deste domingo, reconheceu que as inspeções de armas não são infalíveis.

“Não deveríamos pensar que as inspeções, por si só, deveriam nos dar o tipo de garantia que podemos levar a um banco”, declarou.

Mas Powell defendeu a obtenção de apoio internacional antes de qualquer ataque ao Iraque.

“Acho que o mundo tem de receber a informação, com o que existe de disponível”, acrescentou. “Um debate é necessário na comunidade internacional para que todos possam fazer um julgamento”.

“Eu acho que no atual debate muita atenção focalizou os Estados Unidos e que debate está ocorrendo dentro do governo, em oposição à atenção que está focalizando o regime iraquiano”, afirmou.