Powell mostra na ONU o que diz serem provas contra o Iraque

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Publicado quarta-feira, 5 de fevereiro de 2003 as 22:29, por: cdb

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, disse ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, nesta quarta-feira, que o Iraque “não fez esforços” para se desarmar, no que pode ser um momento crucial na questão da alegada violação de resoluções da ONU sobre armas de destruição em massa.

Powell iniciou seu pronunciamento com gravações de áudio que, segundo o secretário, mostram duas autoridades iraquianas discutindo uma inspeção que estava sendo preparada por autoridades da ONU.

“Eles vão estar inspecionando munição que você tem… a possibilidade de existir munição proibida”, diz uma das vozes, que Powell identificou como sendo de uma autoridade iraquiana, na tradução norte-americana.

“Nós lhe enviamos uma mensagem, ontem, para que limpe as áreas, destrua as áreas, áreas abandonadas. Verifique com certeza que não há nada lá”.

Powell disse que as gravações mostram “parte de uma política de evasão e de trapaça em vigor há 12 anos”.

“Não lhes posso contar tudo o que sabemos”, acrescentou. “Mas o que eu posso compartilhar com vocês, quando combinado com tudo o que vocês aprenderam ao longo dos anos, é profundamente perturbador”.

Powell disse que os serviços de informações norte-americanos acreditam que o Iraque tem um estoque de entre 100 toneladas e 500 toneladas de armas químicas e 16 mil foguetes, e que o presidente Saddam Hussein autorizou os comandantes militares a usá-los.

O secretário acrescentou que o Iraque não informou onde foram parar quatro toneladas do agente VX – acrescentando que uma única gota desse produto pode matar uma pessoa.

“Nós temos provas de que essas armas existiam”, disse. “Nós não temos provas de que o Iraque as tenha destruído ou de onde estão”.

O secretário mostrou também uma fotografia de satélite do que afirmou ser um ativo “bunker” de armas químicas.

A fotografia, segundo Powell, mostra autoridades iraquianas limpando os bunkers antes de outra inspeção da ONU.

Outras fotografias mostram caravanas de caminhões em outros locais suspeitos de possuir armas químicas e mísseis balísticos, apenas dois dias antes do reinício das inspeções.

Powell disse que os Estados Unidos souberam, por meio de fontes de inteligência, que Saddam Hussein advertiu cientistas iraquianos que sofreriam “graves conseqüências”, juntamente com suas famílias, se fornecessem informações secretas para os inspetores.

Os cientistas, ainda de acordo com o secretário, foram forçados a assinar documentos declarando compreender que a divulgação de tais informações é punível com a morte.

Powell ressaltou que quatro fontes diferentes disseram que o Iraque havia construído sofisticadas e móveis instalações para a produção e a pesquisa sobre armas biológicas. Essas instalações poderiam produzir antraz, ricina e outros agentes.

O secretário acrescentou que o Iraque tinha pelo menos sete dessas instalações, que poderiam ser contidas em 18 caminhões.

Al Qaeda
Referindo-se ao que afirmou serem provas de ligações entre o regime iraquiano e a rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden, Powell disse que uma unidade dessa organização, chefiada por Abu Musab Zarqawi, se encontra no Iraque.

Zarqawi, que fugiu do Afeganistão para o Iraque, estaria operando livremente neste último país, há mais de oito meses, chegando a usar Bagdad, a capital, para coordenar suas atividades.

Zarqawi foi vinculado ao assassinato, em outubro passado, do diplomata norte-americano Laurence Foley, na Jordânia.

O suspeito foi também vinculado a uma conspiração para produzir a toxina mortal ricina, informação esta que surgiu depois que a Grã-Bretanha desbaratou um grupo, no mês passado.

Powell disse que Zarqawi tem conexões com os Ansar al-Islam, um grupo no estilo do Talibã afegão e que opera em áreas sob controle curdo no norte do Iraque.

Credibilidade
Uma autoridade norte-americana declarou que as informações que Powell apresentou será custosa, porque revela algumas fontes de inte