Povo árabe não pode ser palmatória do mundo

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Publicado quarta-feira, 12 de setembro de 2001 as 16:33, por: cdb

Os fatos lamentáveis aos quais o mundo assistiu, estarrecido, na manhã de ontem em Nova Iorque, parecem estar servindo de fundo para uma verdadeira caça às bruxas, em âmbito global, a um povo específico. No caso, os árabes e palestinos que, há décadas, sofrem com as invasões de seus territórios no Oriente Médio.

A brutalidade dos ataques israelenses a cidades na Palestina, com o patrocínio tácito dos Estados Unidos, somente poderiam gerar as cenas de comemoração vistas em todos os canais de televisão na face da Terra, após a ruína dos principais símbolos do capitalismo e do poderio armamentista daquela nação. Era o sinal para que a culpa por todos os pecados do mundo recaíssem novamente sobre o milenar povo árabe, que hoje vive sob a ira do país mais poderoso do mundo.

Ninguém mostrou, no entanto, o clima de festa nas ruas de Buenos Aires, na Argentina, país destruído pela força do capital pirata dos Estados Unidos. Também não houve quem mostrasse o sorriso tácito de milhões de japoneses, que saboreavam o prato frio da vingança contra os atentados à bomba em Hiroshima e Nagasaki, na 2ª Grande Guerra.

De forma alguma os milhões de cidadãos muçulmanos poderão ser responsabilizados por um ato de terror como este ocorrido em solo norte-americano. Mesmo porque o ato de uma facção religiosa não poderá, jamais, lançar na mesma vala comum aqueles que seguem os preceitos religiosos do Corão e têm, no livro sagrado da religião muçulmana, o referencial de fé e paz de que este mundo tanto necessita.

Alberto Ahmed é presidente do jornal Povo