Poupança supera FGTS em verba para moradia em 2006

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Publicado domingo, 7 de janeiro de 2007 as 12:04, por: cdb

No ano em que os recursos destinados para a compra da casa própria atingiram seu maior valor, a participação dos contratos com base na caderneta de poupança ultrapassou, pela primeira vez, a do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no financiamento do setor. Representou perto da metade do total, o que traduz uma mudança no perfil dos financiamentos habitacionais, já que essa modalidade costuma atender a faixas mais altas de renda.

Em 2006, os investimentos imobiliários para a redução do déficit habitacional totalizaram R$ 19,45 bilhões, segundo a Secretaria de Habitação do Ministério das Cidades – volume 40% superior aos R$ 13,82 bilhões destinados ao setor em 2005 e mais que o dobro dos R$ 9,14 bilhões desembolsados em 2004.

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) estima que o volume de desembolso nos financiamentos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) – realizado com recursos da caderneta – tenha sido responsável por desembolsos de R$ 9,3 bilhões no ano, quase o dobro dos R$ 4,85 bilhões registrados em 2005. Até novembro, foi de R$ 8,4 bilhões, de acordo com a entidade.

Já os financiamentos pelo Fundo de Garantia somaram R$ 7,3 bilhões até 28 de dezembro, o que indica crescimento bem mais modesto. Em relação a 2005, quando foram desembolsados R$ 5,5 bilhões, o aumento foi de 31%. Os dados são do Ministério das Cidades e da Caixa Econômica Federal.

Quanto ao número de unidades, no entanto, o FGTS ainda lidera. Até outubro, 315 mil imóveis haviam sido financiados pelo fundo, enquanto os contratos com recursos da poupança foram destinados a 90 mil domicílios. Os dados, no entanto, mostram que o volume de financiamentos pelo Fundo de Garantia cresce em ritmo menor. Nos dez primeiros meses de 2006, a quantidade de residências adquiridas pelo SBPE aumentou 114%, ao passo que o número de contratos fechados pelo FGTS subiu 34%.

A comparação do valor médio dos financiamentos nas duas modalidades revela a diferença no perfil e no público alvo dos agentes financeiros. Nos contratos com recursos da poupança, o desembolso por unidade é de R$ 82 mil, enquanto nos contratos realizados com recursos do FGTS o valor médio é de R$ 20 mil.

Com prazo de até 20 anos, os dois tipos de contrato trabalham com limites distintos de renda e de financiamento. O SBPE usa recursos da caderneta de poupança para financiar até 80% da compra de imóveis avaliados, no máximo, em R$ 350 mil. Nessa modalidade, não há limite de renda familiar. Operada pela Caixa, a Carta de Crédito do FGTS se destina a famílias com renda de até R$ 4.900. Esse contrato financia a aquisição de imóveis avaliados entre R$ 72 mil e R$ 80 mil. Para os mutuários das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, os valores vão de R$ 80 mil a R$ 100 mil. Nessa modalidade, as prestações não podem superar 30% da renda familiar mensal.