Postura de Lula é criticada pela imprensa paraguaia

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Publicado quinta-feira, 19 de junho de 2003 as 15:53, por: cdb

Apesar de ter elogiado a disposição brasileira de dar vantagens ao Paraguai e ao Uruguai, a imprensa paraguaia reclamou da postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do Mercosul.

Lula era o presidente mais aguardado no país, uma espécie de estrela do evento.

Mas os três jornais paraguaios que cobriram a reunião criticaram a consistente recusa do presidente brasileiro em falar com a imprensa.

Também houve críticas ao forte esquema de segurança que o cercava, em absoluto contraste com a segurança dos outros presidentes.

Itaipu

Lula só falou na entrevista coletiva oficial de encerramento – e desconversou numa pergunta sobre a dívida do Paraguai com a Eletrobrás por causa de Itaipu.

O jornal La Nación diz que Lula “não honrou” a fama de carismático que tinha no país.

Na chegada à cidade, ele foi recebido com saudações carinhosas dos jornalistas paraguaios e estrangeiros que o esperavam no aeroporto e não ouviram uma palavra sua.

O La Nación criticou também o discurso de Lula durante a reunião, considerando-o “impessoal, típico do Itamaraty”.

Em outro texto, o jornal destaca a participação do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que não se negou a falar com os jornalistas sempre que foi solicitado e “ganhou por corpos de outro grande esperado, Lula da Silva”.

A falta de resposta direta do presidente brasileiro quando foi questionado sobre a renegociação de uma dívida de US$ 4,2 milhões da Itaipu também foi destaque, nos jornais Última Hora e Notícias.

Lula limitou-se a dizer que Itaipu “era um exemplo de sucesso num empreendimento conjunto entre os dois países”.

Os paraguaios estavam ansiosos para saber a opinião do novo presidente brasileiro sobre a renegociação da dívida.

Ela vem sendo questionada porque teria sido contraída quando a empresa vendia energia elétrica abaixo do custo de produção para o Brasil.

Repetindo o discurso, o Última Hora diz que é muito bom que Brasil e Argentina estejam dispostos a ajudar os dois países menores do bloco, mas que isso “não é nenhum favor porque eles fazem isso em seu próprio interesse”.