Pós-guerra no Iraque já matou 1,5 mil civis

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Publicado sexta-feira, 26 de setembro de 2003 as 12:34, por: cdb

A alarmante violência nas ruas de Bagdá desde a ocupação norte-americana já provocou a morte de 1.519 civis a mais do que seria habitual, comunicou um grupo de pesquisas. O Iraq Body Count (IBC), entidade anglo-americana que reúne acadêmicos e pacifistas, disse que o estudo sobre as mortes violentas, com base nos registros do principal necrotério de Bagdá, confirmam a impressão de terror e caos na cidade.

“Embora a maioria das mortes seja o resultado da violência de iraquianos contra iraquianos, algumas foram causadas diretamente por disparos de militares dos EUA”, disse nota da entidade, que se dedica a contabilizar as mortes de civis no Iraque.

De meados de abril até o final de agosto, houve 2.846 mortes violentas registradas no necrotério de Bagdá, disse o IBC, baseando seus dados em vários relatos da imprensa. Após subtrair a média de homicídios anterior à guerra, “surge um total de pelo menos 1.519 mortes violentas a mais”.

A maioria dos iraquianos tem armas – normalmente fuzis AK-47 e pistolas -, e eles se mostram dispostos a usá-las desde que o regime de Saddam Hussein foi derrubado, em 9 de abril.

Tiroteios e mortes por vingança são comuns na capital, onde as pessoas resolvem velhas diferenças à bala, na certeza da impunidade. Os moradores também vivem sob o temor de serem apanhados no fogo cruzado entre tropas dos EUA e supostos guerrilheiros.

Segundo o IBC, em meados de abril o necrotério de Bagdá registrava em média dez mortes violentas por dia. Esse número quase triplicou desde então, atingindo as 28 mortes diárias em agosto. Antes da guerra, cerca de dez por cento dos corpos levados ao local tinham ferimentos de bala. Agora, são mais de 60 por cento, segundo o IBC, que atribui a violência aos ocupantes norte-americanos.

“Os EUA precisam ser efetivos na sua guerra, mas a queda da capital iraquiana na delinquência sob a ocupação mostra que (os norte-americanos) são incompetentes em manter a ordem pública e em dar segurança à população civil”, disse o pesquisador Hamit Dardagan. “Os iraquianos comuns podem justificadamente ser ingratos pela libertação, que eliminou o medo de Saddam mas os deixou sob ocupação militar e convivendo com o terror nas ruas.”

Os militares e autoridades dos EUA no Iraque reconhecem o problema, mas insistem que estão se empenhando ao máximo para confiscar armas, prender criminosos e treinar uma polícia local.