Portela tentar romper jejum de 20 anos na Sapucaí

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Publicado domingo, 6 de fevereiro de 2005 as 19:05, por: cdb

Uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, a Portela tentará romper a barreira de duas décadas sem uma vitória na Marquês de Sapucaí em 2005.

Segundo os carnavalescos da escola e pesquisadores do Carnaval, é justamente esse apego à tradição que vem atrapalhando a vida da Portela. Desde 1984 a azul e branco amarga derrota atrás de derrota depois de ser a escola mais vezes campeã no Carnaval carioca, com 21 vitórias.
A agremiação foi uma das primeiras a surgir com o início dos desfiles de Carnaval organizados no Rio de Janeiro, na década de 1930. Ela recusou-se, porém, a adotar a modernização imposta por outras escolas como a Beija-Flor nos anos 1970.

Como inovação, a Beija Flor trouxe fantasias luxuosas, carros alegóricos maiores e capacidade de arrecadar investimentos fora da agremiação.

De acordo com os atuais dirigentes, o anacronismo deve-se aos 30 anos de uma gestão que investiu pouco na Portela, sob a liderança do bicheiro Carlinhos Maracanã, expulso do comando da escola pela Justiça em 2004.

– A Portela perdeu muita competitividade nesses anos. Neste ano vai ganhar quem errar menos, mas vamos reganhar essa competitividade – disse o novo presidente da escola, Nilo Figueiredo.

Segundo o diretor conhecido como Valfler, que está na escola desde os sete anos, a gestão anterior foi omissa com a “organização e os investimentos”.

Ele cita o fato de terem trocado a ordem do desfile da Portela várias vezes, para colocá-la na avenida nas primeiras horas do dia e economizar o gasto com a iluminação do sambódromo.
É sabido que o desfile durante a luz do dia pode prejudicar a escola, já que não mostra todo o brilho das alegorias e fantasias.

Outros membros da Portela lembraram ainda que já testemunharam vezes em que o ex-presidente optava por usar canos de plástico em vez de alumínio nos carros alegóricos para economizar recursos.

Procurado pela Reuters para comentar as declarações, Maracanã não pôde ser encontrado. Um suposto assessor de imprensa retornou um telefonema da reportagem, mas desligou assim que foi informado sobre o tema a ser tratado.

Na história da escola não falta polêmica, um outro percalço abalou sua trajetória. Em 1985, um desentendimento interno levou à saída de vários membros e à posterior criação de outra agremiação, a Tradição.

No barracão, uma lenda até hoje serve para explicar tantos anos de fracassos. Membros da escola dizem que em 1974 foi rogada um praga pela qual a Portela ficaria 30 anos sem ganhar.

Passado gorioso

Com maldição ou não, a Portela está tentando se reorganizar depois de passar décadas na dianteira. Historicamente, ela fazia parte das chamadas “quatro grandes” do Rio no início do Carnaval carioca, dividindo sempre o pódio com Salgueiro, Império Serrano, Mangueira.
Em 1976, as quatro grandes sofreram um revés. A Beija-Flor ganhou o Carnaval e iniciou-se uma nova era para os desfiles cariocas – uma etapa de luxo, de profissionalização e de investimentos obtidos fora da escola, seja com patrocínio ou o apoio de bicheiros.

– Algumas escolas mudaram a forma de desfilar. Ficaram mais profissionais, mais estruturadas para se apresentar. A Beija-Flor, a Mocidade e a Imperatriz de um certo modo tomaram a frente do Carnaval e são hoje as grandes campeãs, as que têm mais títulos recentes – disse Felipe Ferreira, autor de “O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro”.

A própria forma de estruturar um desfile mudou. Ferreira cita o exemplo da escolha das fantasias.

No período mais antigo, o carnavalesco desenhava as roupas e entregava o desenho para cada presidente de ala, que costurava a fantasia conforme seu entendimento, nem sempre representando fielmente a idéia original.

Atualmente, o protótipo é feito pelo carnavalesco, o que reproduz fielmente a roupa para todos os integrantes da ala. É por cuidados desse tipo que esco