Portadores de escoliose poderiam evitar tratamentos agressivos

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Publicado quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003 as 16:44, por: cdb

Um estudo realizado durante 50 anos sugere que muitos adolescentes que recebem o diagnóstico de curvaturas na espinha podem evitar aparelhos, cirurgias e outros tratamentos sem desenvolver deficiências físicas debilitantes no futuro.

Pesquisas anteriores sobre escoliose apresentavam um prognóstico sombrio e levaram a programas de rastreamento obrigatórios nas escolas de 26 estados norte-americanos, com base na impressão equivocada de que as deformidades na espinha inevitavelmente levavam a deficiências graves e capazes de ameaçar a vida.

Pacientes que não foram tratados realmente tiveram dores nas costas e mais preocupações com a imagem corporal do que os participantes do estudo com espinhas normais.

Além disso, foram registradas três mortes possivelmente relacionadas à deformidade.

Mas os pacientes que não receberam tratamento apresentaram índice de mortalidade semelhante ao dos demais e mostraram-se tão funcionais e capazes de levar vidas produtivas 50 anos depois do diagnóstico quanto as pessoas com espinhas normais.

“A maioria dos pacientes está se saindo muito bem”, disse o principal autor do estudo, Dr. Stuart Weinstein, professor de cirurgia ortopédica da Universidade de Iowa.

Os resultados do estudo são baseados em 50 anos de acompanhamento de informações sobre 117 pacientes diagnosticados com escoliose entre 1932 e 1948.

Eles aparecem na edição desta semana de Journal of the American Medical Association (Jama).

O estudo apenas comparou pacientes que não receberam tratamento com pessoas que não tinham escoliose.

Portanto, segundo Weinstein, não podem ser tiradas conclusões sobre se as pessoas que não foram tratadas se saíram tão bem quanto aquelas que foram submetidas a tratamento.

O Dr. Paul Sponseller, especialista em ortopedia da Universidade Johns Hopkins que escreveu um editorial acompanhando o texto da pesquisa no Jama, disse que não está claro se a consciência que os adolescentes de hoje têm da própria imagem os faria aceitar uma deformidade sem tratamento.

Ele disse ainda que os testes feitos nas escolas às vezes exageram nas indicações de tratamento, e sugeriu que o estudo podia levar a uma verificação mais efetiva dos jovens com necessidades mais críticas.

O estudo envolveu uma curvatura da espinha que se desenvolve após os 10 anos de idade e não tem causa conhecida. Estima-se que a escoliose afeta ao menos dois por cento dos norte-americanos, incluindo aí 60 mil adolescentes.

Uma espinha normal parece uma linha reta ao longo do meio das costas, quando vista de trás. Mas nos portadores de escoliose a espinha pode ter um formato de “S” ou “C” e os ombros e lados da cintura podem parecer irregulares.

Espinhas muito curvadas podem invadir a cavidade do peito e interferir com as funções cardíaca e pulmonar normais, mas o estudo sugere que estes casos são raros.

Tratamentos modernos – cirurgia para corrigir curvas de cerca de 50 graus ou mais – ou aparelhos para as costas que evitam uma piora em casos menos graves – não estavam disponíveis quando o estudo começou, segundo Weinstein.

Quando a espinha pára de crescer, a curva média dos portadores de escoliose estudados era de cerca de 50 graus, e a maioria piorou durante a vida adulta.

Os participantes do estudo estavam entre as 444 pessoas diagnosticadas no início dos anos 1930.

Alguns não foram escolhidos para o acompanhamento ou morreram; os autores também não puderam entrevistar 127 pacientes e não tiveram informações sobre a causa da morte de vários outros.

Weinstein disse que não acredita que isso tenha afetado os resultados.