Populção do iraque vai às urnas em grande número

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 15 de dezembro de 2005 as 09:52, por: cdb

Os iraquianos vão às urnas nesta quinta-feira para eleições parlamentares sob a expectativa de uma participação maior do que na votação de janeiro deste ano, quando foi escolhida a Assembléia Nacional Provisória. A população já foi chamada a votar duas vezes em 2005. Pouco menos de 60% dos eleitores foram às urnas nas eleições de Janeiro, e pouco mais de 60% participaram do referendo que aprovou a nova Constituição. Mas analistas dizem que estas eleições vão ser bem diferentes da disputa do início do ano porque o sistema mudou e porque os sunitas,  que boicotaram a eleição de janeiro,  parecem estar mais interessados na disputa.

– Seria bom ter uma noção de qual vai ser o resultado destas eleições, mas nós simplesmente não temos. O país é muito inseguro para pesquisas de intenção de voto. Tenho a impressão de que a coalizão dos xiitas está bem posicionada e que os curdos podem perder um pouco, porque o novo sistema de eleição proporcional limita os ganho decorrentes da forte unidade étnica deles. E acho que (o embaixador norte-americano Zalmay) Khalilzad preparou bem o caminho para uma maior participação dos sunitas –  disse o direitor do programa de Oriente Médio do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington, John Alterman.

Uma das poucas pesquisas sobre a eleição feitas no Iraque e divulgadas ao público foi encomenda da entidade norte-americana de “promoção da democracia” Instituto Internacional Republicano. Na sondagem feita com 2,7 mil iraquianos em 18 províncias do país, 93% disseram que pretendiam votar. A pesquisa não incluía perguntas sobre as preferências dos eleitores nem os dividia por origem. Nas eleições do início do ano, o voto no Iraque ficou basicamente divido entre as três comunidades principais: o curdos-sunitas, os árabes-xiitas e os árabes-sunitas. Os árabes-sunitas boicotaram as eleições, acabaram subrepresentados na Assembléia e são apontados pelo governo do Iraque e pelos norte-americanos como os responsáveis pelo grosso da insurgência no país.

Existe a esperança de que na escolha da Assembléia Nacional definitiva agora aconteça uma participação maior do sunitas e que isso equilibre um pouco mais o jogo político. A tendência é de que os sunitas ganhem mais assentos de qualquer maneira porque a eleição agora vai ser proporcional e por províncias, ou seja, nas áreas onde a comunidade é praticamente hegemônica, exatamente onde a violência pode atrapalhar mais as eleições, alguns assentos estarão garantidos mesmo que muita gente não vá votar.

Mas Alterman teme que a eleição também acabe aprofundando ainda mais a divisão sectária no Iraque.

– O resultado mais provável destas eleições é que a escolha do candidato acabe se dando através das identificações mais básicas, de etnicidade e religião, e a favor daquele que tiver poder imediato para fornecer bem-estar e segurança à comunidade – avalia.

O secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica (que reúne 56 países muçulmanos em todo o mundo), Ekmeleddin Ihsanoglu, diz que o “sectarismo” no Iraque é uma grande preocupação da entidade.

– Nós somos contra processos que criem conflitos entre as populações que já vivem no Iraque há muito tempo. O Iraque tem que ser um país integrado e soberano para que possa ter paz internamente e com seus vizinhos – disse.

A Comissão Eleitoral Iraquiana divulgou na quarta-feira os números finais para as eleições. Os 7.655 candidatos,  que competem por 275 assentos no Parlamento, estão divididos em 307 entidades políticas, agrupadas em 19 coalizões. Os mais de 15,5 milhões de iraquianos habilitados a votar terão a disposição 33 mil zonas eleitorais instaladas no país, além de postos de votação em 15 outras nações para os emigrantes. Os partidos e outras agremiações políticas registraram mais de 230 mil observadores para estas eleições. O número de monitores independentes chega a 120 mil, incluindo 800 estrangeiros. As principa