Poligamia seria causa de revolta na França

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Publicado quarta-feira, 16 de novembro de 2005 as 20:00, por: cdb

Um dos temas lançados na arena para apontar as causas da “crise urbana” francesa foi a poligamia. Ela foi citada pelo ministro do Trabalho francês, Gérard Larcher, como um dos principais pontos de revolta dos moradores dos subúrbios parisienses. Em entrevista ao Financial Times, tradicional diário econômico britânico, Gérard Larcher afirmou que a poligamia seria “uma das causas” da crise, evocando “a desintegração de valores familiares que não correspondem a um modelo compartilhado”. Segundo o ministro, “diversas de famílias africanas” cujas crianças vivem “num apartamento superlotado, que têm uma referência remota do pai e uma mãe que, às vezes, conhece problemas de respeito e de igualdade”. A realidade é certamente mais complexa.

Levando adiante o seu raciocínio, Gérard Larcher julga que perante este “comportamento anti-social, não é surpreendente que alguns entre eles tenham dificuldades para encontrar trabalho”, nada ver com a cor da pele, nome ou o endereço. Ligeiramente atrasado, o ministro e o seu ambiente quiseram moderar os propósitos sulfurosos trazidos pelo jornal britânico, assegurando que tinham sido argumentos citados diante de uma discussão e que se tratava muito mais de uma “chamada à reflexão” do que “um julgamento de valor”. Ele ponderou, ainda, que realmente importante era a taxa de desemprego elevada dos bairros onde vivem famílias polígamas.

Mas a palavra “poligamia” chamou a atenção.

– É certamente uma das causas das perturbações atuais – aumentou o deputado UMP Bernard Accoyer. Para ele, poligamia, “é a incapacidade de trazer uma educação tal que é necessária numa sociedade organizada, normalizada”.

Segundo o parlamentar, foi a esquerda que trouxe este fenómeno que descreve como uma bomba de retardo.

– Houve, no período que foi de 81 até a 92, certamente, um grande número de famílias polígamas que vieram à França e, por conseguinte, aquilo coloca, agora, problemas que são, em parte, a causa das desordens que tivemos – disse.

Como se podia-se esperar, o presidente do Movimento para a França (MPF), Philippe de Villiers, deu números. Foram 80.000 famílias polígamas que ingressaram na França desde 1981, com a chegada da esquerda ao poder. Ele pede que “o governo tome uma medida firme e definitiva de proibição poligamia na França.

A poligamia é reconhecida em cerca de 50 países (do Afeganistão ao Togo, passando pela Argélia, Mali ou Gabão). Não o é na França devido aos princípios de igualdade e de liberdade individual mas, apesar de proibida de fato, é tolerada para os que vêm de países onde é autorizada. Mas com muitas restrições.