Polícia ocupa favelas após sequestro dos sete jovens

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Publicado sexta-feira, 16 de dezembro de 2005 as 11:16, por: cdb

Dois dias após o seqüestro de sete jovens de Vigário Geral por bandidos de Parada de Lucas, que usavam fardas da Polícia Militar, o secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, ordenou que favelas vizinhas e dominadas por facções criminosas rivais fossem ocupadas. Homens do Bope – Batalhão de Operações Especiais – passaram o dia em Parada de Lucas, vasculhando vários endereços onde os jovens ou seus corpos poderiam estar. Os policiais checaram denúncia de que havia quatro corpos carbonizados numa casa, mas nada encontraram.

Uma denúncia, feita por um menor de 16 anos detido terça-feira pela Polícia Civil, acusava 11 PMs do 16º BPM (Olaria) de dar apoio aos traficantes de Parada de Lucas na invasão a Vigário Geral, está sendo investigada. O menor foi detido com fardas da PM e teria tido  participação no ataque.

O chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, e o comandante-geral da PM, coronel Hudson de Aguiar, visitaram as famílias dos desaparecidos ontem, sob forte escolta. Nove endereços serão verificados pela nova equipe da 38ª DP (Brás de Pina), com o apoio de delegacias especializadas. Sobre a demora na realização das buscas, Álvaro Lins foi disse que o ex-delegado da 38ª DP (Antônio Calazans) foi exonerado por essa demora, pela falta de empenho da equipe, que se preocupou mais em vestir a farda no menor detido para que fosse fotografado pela imprensa, o que teria levado o caso a essa situação.

Durante a visita de Lins e Hudson à favela, moradores faziam protesto na Rua Bulhões Marcial. Quando o Caveirão do Bope apareceu, os manifestantes protes tavam com gritos de  “Vendido, vendido”. Moradores tentaram impedir a passagem dos carros dos policiais, mas foram retirados por PMs. Álvaro Lins disse que Igor Góes Silveira, um dos sumidos, seria traficante.