Polícia mineira reprime com violência protesto de trabalhadores

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Publicado segunda-feira, 3 de abril de 2006 as 18:57, por: cdb

Na manhã desta segunda-feira, cerca de 1,5 mil militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e outros movimentos ligados à Via Campesina fizeram um ato na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A repressão policial foi violenta e, segundo Joceli Andrioli, da coordenação do MAB,  17 pessoas foram encaminhadas ao hospital, mais de 30 estão feridas e outras 30 desaparecidas. Além disso, sete companheiros foram presos.

Minas Gerais tem o preço de energia mais caro do país. Enquanto as famílias pagam até R$ 600,00 o megawate (1000 kw) de energia, as empresas pagam menos de R$ 126,00. Além disso o imposto pago pelas famílias é de 30%, enquanto o das empresas consumidoras é de 18%. No mais, o povo consome a menor fatia de energia da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Eles gastam perto de 24% da energia da Cemig – o que corresponde a 36% de sua arrecadação. Já as empresas gastam em torno de 59% – correspondendo a apenas 32% da sua arrecadação.

Em Marcha

No sábado, a Marcha: água e energia para a soberania do povo brasileiro, organizada pelo MAB se juntou a outras marchas de movimentos sociais somando 3 mil pessoas na Praça Sete. Seguiram em direção a Praça da Liberdade para buscar os sete companheiros que estavam em greve de fome desde o dia anterior. No caminho, houve enfrentamento com a polícia três vezes. Os marchantes acamparam na Praça da Assembléia, onde fizeram a abertura do I Encontro dos Movimentos Sociais Mineiros.

No domingo, pela manhã o MAB fez um debate com a Via Campesina sobre o modelo energético brasileiro. Ficou encaminhada a luta pela redução do preço de energia, principalmente nos municípios mineiros. Durante à tarde, o debate foi sobre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e suas políticas de privatização.