Polícia investigará causas do desabamento da marquise

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Publicado terça-feira, 27 de fevereiro de 2007 as 12:37, por: cdb

O acidente foi registrado na 12ª DP (Copacabana) como desabamento sem intenção. Os responsáveis podem cumprir pena de pelo menos três anos de prisão. A polícia investigará se alguém alterou a marquise, e os bombeiros aguardam o resultado da perícia para definir as causas do acidente.

O advogado do hotel, Ely Machado, garante que a estrutura estava perfeita. Ele informou ainda que o hotel tem seguro e as vítimas serão indenizadas. O gerente Francisco das Chagas Sousa disse à polícia que a obra é de responsabilidade da Rio Artplac e do engenheiro Waldemiro de Freitas Bento.

O diretor da Rio Artplac, José Geraldo Jacob Neto, afirma que não mexeu na estrutura da marquise, só repondo telhas, e que reformou a fachada, substituindo esquadrias de alumínio e vidros espelhados. Após quatro meses, a obra foi concluída dia 16, mas a retirada dos equipamentos só acabou sábado. José diz que os operários terminavam de repor telhas: – Não pusemos peso. Se caiu, é porque já devia estar comprometida -. A prefeitura afirma que não havia necessidade de licença para obras na fachada. E que não precisa de permissão para intervenção na marquise.

Muito embora um laudo preliminar do Instituto Carlos Eboli tenha apontado o excesso de peso como motivo da queda da marquise o coronel Roni Alberto de Azevedo, relações públicas do Corpo de Bombeiros, admitiu que a instituição ainda não apontou uma causa para o acidente.

– Estamos trabalhando com os peritos na investigação. Temos conhecimento de que o prédio é muito antigo. Ele foi restaurado. A marquise pode ter desabado por diversos fatores, como uma infiltração. Mas, sobre isso, a perícia chega a uma conclusão de uma maneira muito rápida”, afirmou o coronel Roni Alberto.

– É prematuro falar. Vários fatores podem ter causado a queda. Precisamos aguardar o resultado da perícia. Mas a possibilidade de abalo na estrutura do prédio está afastada – enfatizou, quando novamente perguntado sobre as causas do acidente.

Mas segundo a Defesa Civil Municipal, o desabamento não ocorreu por falta de manutenção e sim por excesso de peso sobre a estrutura. – O problema com a marquise ocorreu por um conjunto de fatores, mas o detalhe importante que foi verificado, na segunda-feira por nós, da Defesa Civil, é o acúmulo de entulho sobre a marquise, o que é uma coisa desnecessária – afirma Marcel David, engenheiro da Defesa Civil.

A mesma opinião é compartilhada pelo presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Reinaldo Barros. – Toda marquise cai pelas mesmas razões: uma delas é a sobrecarga e, nessa, de Copacabana, havia excesso de entulho e concreto adicional na marquise. 

As más condições das marquises da cidade são evidentes no trabalho de fiscalização da Defesa Civil. Segundo informações do departamento, das 930 marquises vistoriadas nos meses de dezembro e janeiro, no município, 30% apresentam algum tipo de problema.

A Secretaria municipal de Urbanismo informou em nota oficial que não existe pedido de licença para a realização de obras na marquise do Hotel Canadá. O proprietário do hotel está viajando mas o seu sócio se comprometeu a prestar depoimento à polícia ainda nesta terça-feira.

A população sem conhecimento de engenharia ou arquitetura pode aprender como identificar sinais de problemas nas marquises dos prédios em cursos ministrados pela Defesa Civil, recomendados especialmente para síndicos. Os interessados podem ligar para 2576-5665.