Polícia Federal confirma que chinês foi torturado

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Publicado sábado, 27 de setembro de 2003 as 08:33, por: cdb

A Polícia Federal concluiu nesta sexta-feira o inquérito que apurou a morte do comerciante chinês naturalizado brasileiro Chan Kim Chang (46 anos), que esteve detido no Presídio estadual Ary Franco, e indiciou 12 pessoas. A conclusão do inquérito aponta que agressões teriam sido praticadas contra o detento como forma de ”castigo através de tortura”.

Chang havia sido detido em 25 de agosto, quando tentava embarcar para os Estados Unidos, transportando cerca de US$ 30 mil não-declarados à Receita Federal. Ele foi levado para o Presídio Ary Franco, no dia 27 de agosto, foi encontrado desmaiado, em consequência de espancamento e morreu no último dia 4.

A Polícia descartou a versão de auto-lesão por parte de Chang e também que o espancamento tenha sido motivado por possível extorsão. Foi descartada, ainda, a participação de policiais federais no caso.

De acordo com a Polícia Federal, foram indiciadas 12 pessoas entre agentes penitenciários, presos e o então diretor do presídio Ary Franco, major Luiz Gonçalves Matias. A Superintendência da Polícia Federal no Estado do Rio afirma que ”considera esgotada todas as informações sobre o fato”.

Além dos agentes e presos, foi indiciado também o major PM Luiz Augusto Mathias, que dirigia o Ary Franco quando Chan foi espancado. Os nomes dos outros acusados não foram revelados pela Polícia Federal, sob o argumento de que o processo correrá em segredo de Justiça.

Além do crime de tortura, inafiançável, os indiciados foram acusados de falsidade ideológica e desobediência. O inquérito seguiu para o Ministério Público Federal, que poderá denunciá-los à Justiça. Seis agentes penitenciários suspeitos de terem agredido Chan estão presos preventivamente desde o dia 6. Mathias foi afastado do cargo.