Polícia do Rio prendeu menos e morreu mais, indica estudo

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Publicado terça-feira, 18 de janeiro de 2005 as 19:35, por: cdb

Um estudo divulgado hoje pelo Instituto de Segurança Pública do Governo do Rio de Janeiro mostra que o número de prisões diminuiu 12,4% no ano passado: foram 21.410 em 2004 ante 24.427 em 2003. As apreensões de drogas caíram 10,1%, de 13.350 ocorrências em 2003 para 12.007 em 2004. O total de armas apreendidas teve redução de 3,2%, passando de 15.615 para 15.121 no mesmo período. Além disso, de acordo com o estudo, houve uma explosão de roubos a pedestres, com 22.256 registros, um aumento de 24,4% no mesmo período.

Os registros tipificados como auto de resistência, que mostram os casos de mortes em supostos confrontos com policiais, tiveram redução de 17,7%; de 1.195 em 2003 para 983 em 2004. Morreram 52 policiais civis e militares em serviço no ano de 2004, um aumento de dois casos na comparação com 2003. É um índice que sobe a cada ano: foram 23 casos em 2000; 27 em 2001 e 36 em 2002.

“O quadro geral é de crescente ineficiência da ação policial. Os números evidenciam a falta de planejamento, que expõe policiais cada vez mais como alvo de criminosos”, afirmou o sociólogo Geraldo Tadeu Monteiro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Para ele, a queda das apreensões de armas pode estar ligada à campanha do desarmamento, mas a redução da apreensão de drogas, ao contrário do que ocorre em outros Estados onde o consumo também é forte, é um exemplo de que a polícia tem se mostrado ineficiente.

Encontro de cadáver – Seis mil quatrocentas e trinta e oito pessoas foram assassinadas intencionalmente no Rio em 2004. De acordo com o instituto, o número de homicídios dolosos (aquele onde há intenção de matar) caiu 2,8% na comparação com o ano de 2003, quando houve 6.624 registros. No entanto, não estão computados no índice os casos de encontro de cadáver (1.625 em 2003; 1.230 em 2004) e encontro de ossada (53 em 2003; 48 em 2004).

A diretora do Instituo de Segurança Pública, Ana Paula de Miranda, disse que a queda das prisões e apreensões de armas e drogas “está sendo analisada internamente”. “Embora tenha havido uma redução, há certa estabilidade nos números.” Ela tentou justificar a explosão dos casos de roubo a pedestres citando a redução de 13% dos roubos de telefones celulares, que são registrados separadamente, e argumentou que houve “erro de classificação dos crimes em alguns casos”.