Polícia do Rio matou 917 em 2003

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Publicado sexta-feira, 17 de outubro de 2003 as 11:05, por: cdb

Nos primeiros nove meses de 2003, as polícias Civil e Militar do Rio mataram 917 pessoas em supostos confrontos. Em todo o ano passado, foram 900 as mortes cometidas por policiais a partir da suposta reação dos abordados.

Os números constam das estatísticas oficiais da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio, que divulgou os índices de criminalidade relativos ao mês de setembro.

Em comparação com o mesmo mês do ano passado, os autos de resistência (mortes em confronto) tiveram um crescimento de 36%. Foram 75 mortes em setembro de 2002, e agora, 102.

O diretor do Instituto de Segurança Pública, coronel Jorge da Silva, admitiu que os números estão altos, mas decorrem, disse, de confrontos reais. “A polícia está realmente enfrentando os bandidos, basta ver que o número de policiais mortos também aumentou”, afirmou.

Os próprios dados oficiais mostram outro quadro. No mês passado, dois PMs foram mortos em serviço. Em setembro de 2002, três morreram na mesma situação.

O instituto é o órgão da Secretaria de Segurança responsável pela elaboração do Boletim Mensal de Monitoramento e Análise, divulgado mensalmente, com os índices oficiais de criminalidade.

O secretário de Segurança, Anthony Garotinho, logo após assumir o cargo, classificou dez tipos de crime como sendo de combate prioritário. De acordo com os números divulgados ontem, desses dez crimes, houve queda em oito, na comparação com 2002.

Os índices que diminuíram foram os de homicídios dolosos (menos 5,2%), latrocínios (roubo seguido de morte, menos 5,9%), roubo a pedestre (menos 1,6%), roubo em ônibus (queda de 35,5%), roubo e furto de veículos (redução de 3,9%), sequestro (menos 75%), roubo a banco (redução de 90%) e roubo de carga (menos 27,7%).

Os dois tipos de crimes que não alcançaram a meta de redução dos índices foram os roubos a residência (14,9%) e roubos a estabelecimento comercial (4,6%). O coronel Silva disse que o aumento desses crimes “pode ser fruto da presença da polícia na rua”.

Para ele, é mais difícil para as forças de segurança combaterem crimes que acontecem no interior da casa das pessoas do que os que acontecem nas ruas. Ele anunciou que pretende contratar um instituto de pesquisa para elaborar um estudo da percepção dos cariocas em relação à violência.